Por escrito: “Solidão”, por Maria de Fátima S. Ferreira
Solidão
Falo da solidão, não dessa da casa vazia, de sair às ruas sem companhia e das conversas sem réplicas.
Falo da solidão com a casa cheia, da mesa composta e da cama sem espaço.
Falo da solidão da pessoa presente, mas que tem a presença vazia.
Falo da solidão que sinto ao olhar para ti e não ver resquícios de mim.
Falo da solidão que ao buscar seu olhar, não encontro o brilho que antes me refletia.
Que solidão é essa que me deixa fraca como pessoa e adoece minha alma?
Somos duas presenças e uma delas é muito vazia. A sua presença… presença fria.
Admito, não há mais o que eu possa fazer. Nem mesmo o café à mesa, o prato preferido, a roupa cuidada e a preocupação com o seu dia… ações que não recuperam o que um dia foi comum entre nós… os nossos sentimentos.
Tentativas frustradas como o beijo ao sair e ao chegar… quando há beijo é muito frio… tão frio quanto o seu olhar. E lá se vai a nossa intimidade. Se o beijo é considerado a maior intimidade entre dois seres, que triste… entre nós, praticamente, não há intimidade.
Um dia, talvez, você me olhe e não se veja em meu olhar. Talvez você perceba o tamanho da minha solidão. Verás em meu olhar um vazio e na tentativa remota de se procurar dentro de meus sentimentos, não irás mais se encontrar.
Maria de Fátima Saraiva Ferreira
Nascida em Umuarama – PR. Residiu no município de Nova Cantu, ainda criança com mais cinco irmãos. Aos dezenove anos veio residir em Campo Mourão, onde está até hoje. Graduou-se em Geografia no ano de 2008. Pós-graduou-se em Geografia Meio Ambiente e Ensino no ano de 2012 pela UNESPAR / FECILCAM – Campo Mourão – PR. Atualmente está matriculada no curso Superior de Pedagogia pela UNICESUMAR – Campo Mourão – PR.
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