Por escrito: “Quem somos nós”, por Carlos Eduardo Kadu

Kadu

Quem somos nós?

Não posso dizer que não te lembro. Posso dizer apenas que te esqueço quando tantas obrigações me chamam ou quando o sono me afasta. Da realidade sei pouco se não posso responder que sentimento é esse que, sem sentido, ainda te mantém em minha mente. É como se você morasse lá em alguma dimensão da qual não tenho domínio.A mente deve ser mesmo um mundo à parte, que tem acesso aos nossos sentidos durante o tempo em que temos a ilusão de estar no controle. De tal modo que ela possa penetrar a loucura sem que nos demos conta, o que explicaria a loucura de todos.

E isso me faz pensar o quanto é natural que muita gente tenha coragem para coisas atrozes como se fossem à padaria comprar o que é de costume. Não posso pensar que se trate de uma maldade que não seja cega o suficiente para perceber que a dor nos seja tão comum quanto o direito de viver.

E os sentimentos que as pessoas têm umas pelas outras demonstram que os apegos e implicâncias são manifestações que partem de um lugar desconhecido. Por que essa pessoa que está ao seu lado é mais certa para você que o resto do mundo? Por que o seu inimigo é alguém tão especial que mereça o seu desprezo?

Por algum motivo as pessoas que nos rodeiam ficam na nossa memória, ocupando lugares de honra e repúdio.

Onde acionamos nossas mentes para sermos melhores uma vez que sempre achamos que podemos melhorar? O fato é que encaramos nossos defeitos como se não fossem as nossas loucuras. Pois é na eminência deles que somos tão parecidos e nas suas características que divergimos tanto. E lembrar-me de você deve ser mesmo loucura.

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