Por escrito: “Metamorfose Ambulante”, por Célio Roberto da Silva
Metamorfose ambulante
“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia…” dizia a canção… “Tudo muda o tempo todo no mundo”, verdade inexorável. PantaRhei, ou seja, “tudo flui”, já tinha observado Heráclito quase quinhentos anos antes de Cristo. Seu devir indicava que a única coisa constante no mundo é a mudança, e por mais paradoxal que isto pareça, é de uma verdade que parece abraçar cada aspecto de todas existências, de todos seres e dos não seres. “Céus e terras passarão”, palavras ditas em tom profético que apontam na mesma direção da insofismável lógica universal. Seguindo o raciocínio de Aristóteles ou Tomás de Aquino, as coisas mudam seguindo uma equação de causa e efeitos, logo, as mudanças no cenário econômico de um país, tem suas causas em políticas micro e macro-econômicas que, devem levar em conta fatores internos e externos. Na Física, para que um objeto mude do estado de inércia para o estado de movimento é preciso que outro objeto já em movimento cause o movimento no outro. Para a Biologia Darwiniana, a mudança ou evolução de espécie se dá por elementos como isolamento geográfico, fatores climáticos entre outros. Na Filosofia, Hegel descrevia a mudança como o percurso do Espírito na História. E para Marx, tudo aquilo que é e será, pode ser explicado em função das transformações materiais e das relações que se estabelecem a partir destas.
Você que estiver lendo minhas palavras pode estar se perguntando: aonde este escritor maluco quer chegar? Boa pergunta… ao começar escrever estas palavras minha ideia inicial foi mudando na medida que não tenho certeza de onde quero chegar, pois, chegar em algum lugar me parece como o fim do movimento da mudança, e acho que a coisa mais sábia a se fazer é entender o que compôs Raul: “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante…”. E se toda mudança tem uma causa, por mais simples que esta possa ser, acho que vale a pena transformar o movimento da minha vida, de maneira que esta traga como efeito coisas positivas. Acho que vou mudar meu sorriso e tentar sorrir como uma criança, vou tentar ser mais sensível, como um poeta que declama sua poesia, ser mais compreensível, da forma que uma mãe o é com seu filho, aprender a me colocar no lugar do outro, sentir o que ele sente ver como ele vê, tal qual um ator que transmite a verdade de seu personagem, não por que aprendeu dissimular, mas porque aprendeu a se colocar e sentir como o outro.
Enfim, o mundo muda, a vida muda, e a direção destas mudanças depende dentre outras coisas das escolhas que fazemos cada dia. Assim, não concordo com aquele samba que dizia “Como será o amanhã, responda quem puder, o que irá me acontecer, o meu destino será como Deus quiser”. Acho que o destino será feito em grande medida pelas escolhas individuais e coletivas. Sejamos, pois, a mudança que queremos no mundo.
Célio Roberto da Silva
Celio Roberto da Silva tem 28 anos, mora em Terra Boa, tem curso de Teologia pelo Ibadep e é graduando em Historia pela Unespar, Campus de Campo Mourão.
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