Por escrito: “É o fim do mundo”, por Oswaldoir Capeloto

bola-de-fogo

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É O FIM DO MUNDO.

Rápido e arisco,

um risco

cruzou o céu
todo bordado

de luminosidades

variadas.

Arrisco

a dizer
que é um óvni.

– Grita o primeiro curioso.

É não…

– Retrucou Margarida.

… Aquilo é balão.

Balão tão rápido assim!

Só se for na sua imaginação.

– Complementou Severino.

O que será então? – Perguntavam todos.
– “Ai meu Deus, isso é o fim do mundo!”

– Cala a boca Raimundo, e presta atenção:

É o fim do mundo não. É Jesus voltando numa espaçonave

para salvar os puros de alma.

– Ó xente, tô lascado!

Sou puro de corpo, de alma… sei não.

– Resmungou Genoino.

Corre pra casa menino

e se esconda debaixo da mesa.

– Num cabe, mãe! Vim de lá agorinha mesmo
e o vô, o bode e a cabrita já estão lá.
– Então se esconda onde puder, uai… Ô criança abestada!
– Ai não menino! Tá levantando a minha saia.

O alvoroço se espalhou,

tomou dimensões intermunicipais, estadual, nacional…

Flashes, rádio, tv, internet…
Vamos repórter Janete, diga ai o que está acontecendo.

– Uma imensa bola de fogo… Janete é interrompida.

Outro repórter tem informações mais concretas e entra no ar, ao vivo,

mas tem o microfone tomado pelas mãos de uma senhora

que grita por socorro, desesperada:

Precisamos do apoio das “otoridades”,

do socorro divino e de muita oração…

De repente para: Ai meu Deus, meu coração!

Num vou guenta! E cai.

(Calma leitor, foi apenas um desmaio. Ou seria encenação?)

Sirenes tocam, alarmes disparam, cachorros se escondem,

pássaros emudecem. A morte está próxima, é o fim do mundo,

não salvará ninguém. O risco se fez bola… bola de fogo.

E se aproxima rapidamente do alvo. O alvo é a terra.

Agora só falta o estrondo da explosão do mundo…

Ai meu Deus!…

Depois eu continuo essa história, se ainda estiver vivo.

Agora eu preciso me esconder.

Estranha não, uai! Também sou humano.

Oswaldoir Capeloto é autor do livro “Penteando as Horas”, e também do livro “Lágrimas” esse em co-autoria com o poeta Antonio José Lemos Filho. Participou ainda de vários outros livros de coletânea. Reside em Campo Mourão desde 1.985.

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