Por escrito: “Câncer de Mama”, por Fátima S. Ferreira
Ao ser diagnosticado um Câncer seja de qualquer natureza, grau ou proporção, sob os pés de qualquer pessoa, a ‘falta de chão’ é certa.
Minha mãe Anna Maria, não teve medo como os filhos e as demais pessoas que a conhecia. Por mais que parecesse que a procura por um médico demorava, tudo aconteceu numa velocidade anormal. Primeiro o diagnóstico, em seguida, a cirurgia que removeria totalmente a mama esquerda. Ironicamente, a mama que aloja o coração. O seio que amamentou seis filhos.
Foi um tempo recorde entre o tratamento e uma recuperação inexplicavelmente anormal. A doença parecia ter sido eliminada. A felicidade fazia parte dos nossos dias… Dos nossos poucos dias ao lado de quem tanto nos fazia bem…
Transcorrido cerca de dois anos entre o diagnóstico e a recuperação, uma subida falta de ar levou minha mãe a ser internada. No hospital, permaneceu por cerca de um mês. Voltou para casa bem debilitada por conta de procedimentos médicos e da doença que havia atingido os pulmões. Começavam aí longos dias de dor e angústia. Mas, alguns dias foram bons. Não havia dor e fazíamos coisas bacanas como bolos de fubá e pasteis de palmito. Minha mãe se alimentava bem e comia o que sentia vontade.
Cerca de uns seis meses depois da internação, uns três dias após o Natal de 2011, um Acidente Vascular Cerebral (A.V.C.) levou minha mãe a ser internada imediatamente na Unidade de Terapia Intensiva (U.T.I.) do Hospital Santa Casa de Campo Mourão. Três dias no máximo e as dores mais intensas sentidas por quem sabia do ocorrido se transformaram em lágrimas. No dia primeiro de janeiro, às quinze horas, minha mãe faleceu.
Impressionante, como o nosso calendário foi alterado. Alguns dias passaram a ser difíceis, como o Dia das Mães, Aniversário, Natal e o triste Primeiro de Ano. Alguns alimentos preparados por mim para que minha mãe se alimentasse melhor e com mais prazer, como o delicioso bolo de fubá, pasteis de palmito, coxinhas de frango e a enorme pizza incrementada com tanto recheio deixariam de fazer parte das nossas tardes e fins de semana. Tentei um dia fazer o bolo de fubá, mas o doce do bolo ficou amargo. Parece que parou na garganta de tão ruim. Os salgados, também não consegui mais fazê-los. Mas quando os compro já prontos, também são ruins, são amargos ou azedos. O verdadeiro sabor se foi.
Para meus irmãos parece mais simples dizer que a nossa mãe, faleceu de Acidente Vascular Cerebral… Mas a realidade é que o físico de nossa mãe havia sido tomado pela METÁSTASE. E, depois de tudo isso, ficamos estranhos sem a nossa mãe por aqui. A vida ficou sem sabor, sem cor… Agora, no nosso calendário tem mais um dia de tristeza, de saudade e de reflexão, aos demais dias que tanto nos judia tem o Dia de Finados.
Mas ainda ficou a alegria de uma pessoa muito bem humorada. Lembrada por suas piadas, gargalhadas e pelo bom coração que tinha… A Dona Anna Maria.
Às mulheres, procurem o médico quando tiver qualquer alteração no seio. O Câncer de Mama tem cura, mas, se procurar tratamento a tempo. Não deixem de se cuidar porque não se sentem amadas por outras pessoas… Amem-se, primeiramente.
22/10/15
Maria de Fátima Saraiva Ferreira
Nascida em Umuarama – PR. Residiu no munícipio de Nova Cantu, ainda criança com mais cinco irmãos. Aos dezenove anos veio residir em Campo Mourão e se encontra até hoje. Graduou-se em Geografia no ano de 2008. Pós-graduou-se em Geografia Meio Ambiente e Ensino no ano de 2012 pela UNESPAR– Campo Mourão – PR. Atualmente está matriculada no curso Superior de Pedagogia pela UNICESUMAR – Campo Mourão – PR.
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