Por escrito: “Cafetões da imoralidade e os cargos comissionados”, Pedrinho Nespolo

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Cafetões da imoralidade e os cargos comissionados

Muito se fala em corrupção, que de fato é uma grande vergonha para nosso País, mas se olharmos para a Gestão Pública, é assustador as promessas de cargos para pessoas despreparadas em troca de apoio político. Alguns grupos começam a se prostituir buscando novos “tiriricas” (figuras cômicas que alcançam os votos de protesto), como uma espécie de cafetões oportunistas da imoralidade, esparramando a brasa do despojo, mas que é perdoada porque gera votos para a malfadada legenda.

A Administração é um local de poder do Povo, e não de negociata, com isso, a relevância das funções que os Cargos em Comissão possuem, torna-se translúcida à motivação que se pretende na composição dos grupos.

No Brasil o provimento de cargos em comissão contraria, e muito, o princípio da moralidade, insculpido no art. 37, caput da CRFB/88, em razão dos “Administradores” lotearem cargos públicos com pessoas incompetentes, meramente para cumprir promessas de campanha e angariar apoio político. Configurando o famoso CABIDE DE EMPREGOS.

A cada ano, noticia-se mais criação de cargos comissionados (sem aprovação em concurso público) totalmente desnecessários, inchando a máquina pública e tirando investimentos de áreas que beneficiariam a sociedade. A finalidade desta prática é, em sua maioria, distribuir “emprego” a “colegas”, os quais se desincumbem de retribuí-lo por meio de votos, apoio político, ‘caixas’ (valores) partidários, etc. O custo deste “amarre” é tão grave quanto a corrupção! Na verdade, trata-se de uma corrupção legalizada.

O cidadão que queira disputar o cargo de gestor máximo do Poder Executivo, primeiramente deve demonstrar que é exemplo na vida particular, ou seja, demonstrar se tratar de pessoa proba, ética, de princípios e principalmente profissional de sucesso, pois esse é o espelho para a vida pública. Ademais, se bom administrador em sua vida privada, possivelmente o será na vida pública! Deve também, apresentar previamente à população a equipe técnica que irá auxiliá-lo, constituída de pessoas com formação técnica qualificada, capazes de liderar as áreas fundamentais da gestão pública.

Pagamos muito caro para sustentar as negociatas políticas e interesses particulares submersos no sistema público. Isso favorece a corrupção e toda sorte de malversação que surge quando interesses particulares e interesses públicos coabitam no Estado e se confundem.

Tão grave quanto a corrupção é observar nossos impostos se esvaindo para bancar uma máquina governamental pesada!

Tristemente, observamos que muitos opositores que criticam são os mesmos que já estão amarrados com promessas de cargos para pessoas até mesmo piores que aquelas que estão no poder.

Quer uma cidade melhor? Observe o sistema e exija mudanças, mas acima de tudo, tenha consciência de que a mudança começa com suas atitudes, e tenha consciência de seu papel no que pregoou o grande líder Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

Pedrinho Nespolo
Pedrinho Nespolo, 33, professor, empresário e vereador, nasceu em Campo Mourão. É bacharel em Sistemas de Informação, Pós graduado em Gestão Pública e Sistemas para Internet e acadêmico de Direito.
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