“Oração ao Cristo Redentor”, por Ana Paula, na coluna “Por escrito”

Meu cristo, óh redentor, eu queria tanto que toda essa gente não tivesse motivo para falar mal da gente, por que tem gente morrendo só por ser diferente, é travesti sendo linchado, mulher sendo humilhada e até mesmo violentada nas esquinas da cidade, um pais onde o negro ainda sofre preconceito, é terrível eu sei, e ainda para piorar, tem gente sem noção que adora uma poluição, onde o mundo todo inveja a nossa natureza tão bela, preservada e defendida até hoje pelos nossos amigos indígenas, que muitas vezes são tratados como indigentes.

Nesse pais tão vasto, tem japonês, português, chinês, polonês, indiano, argentino, cubano, alemão, tem até coreana vestida de baiana, meu Deus! Ô minha mente, tem país mais misturado que o da gente?

Meu bom cristo, às vezes fico pensando, e tento sempre acreditar que o nosso país vai melhorar, mas daí tem aquela gentinha, digo gentinha por que não merece ser chamado de gente como a gente, eles vêm com promessas que fazem de nos ignorantes e iludidos, porque o que eles mais querem mesmo é roubar toda essa gente, gente trabalhadora, gente de fé, gente que luta para que o seu filho tenha um futuro promissor, mesmo vivendo em um país onde o presidiário tem muito mais custo que um estudante.

Meu Jesus, no que eu posso crer, se o Brasil que eu ajudo a construir, muitas vezes não passa de uma mentira muito bem argumentada por um político que tem quilômetros de terra, e manda prender sem-terra?

Meu cristo, desculpe te incomodar com essas lamentações, mas sabe o que eu quero mesmo, é respeito, viver em um país sem preconceito, onde toda essa diversidade seja aceita e o prejulgamento seja menos fútil, e que as pessoas, possam conhecer realmente o ser humano, o ser igual, o ser gente, e que todas as cores de pele tenham a mesma harmonia que a bandeira nacional, muito obrigada por escutar, amém.

Ana Paula Soares Rola – 22 anos, estudante de pedagogia e teatro, já formada em Educação Física – (Licenciatura). Gosto de escrever quando estou inspirada, e quando não estou também, escrevo para poder expressar minha maneira de pensar sobre mim, tudo e todos ao meu redor.

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