“O MEU NATAL”, por Oswaldoir Capeloto, na coluna “Por escrito”.
Sou bem brasileiro
e como tal
quero o meu natal
bem brasileiro.
O meu papai noel
não precisará vir montado
num trenó puxado por lindas renas não.
Ele poderá vir montado numa carrocinha
roda dura mesmo,
puxada por um burrinho magricela
cruzando caminhos esburacados,
exalando o cheiro da minha terra.
Nem precisará estar metido dentro
de um enorme casaco vermelho, felpudo, pesado,
preparado para um frio enorme.
Afinal, a minha terra é quente,
gostosa, aconchegante, tem o brilho do sol
na sua pele.
Se o meu papai noel vier metido num casaco desses
sentirá tanto calor, o coitadinho
que ficará vermelho de raiva.
Ficará tão triste o pobrezinho!
Quero o meu papai noel de shorts,
de camiseta de manga curta
calçando uma havaiana, um chinelo de pano
ou se preferir, que fique descalço.
O que me importa é que ele se sinta bem.
Não precisará, ainda, o meu papai noel
ficar com aquela barba branca enorme, bem cuidada…
Penso eu que barba grande
e ceia de natal não se combinam bem,
fica anti-higiênico.
Quero o meu papai noel usando a barba comum
de qualquer brasileiro.
Que se molde na barba do nosso aposentado
fios ralos, duros, marcados com o nosso dia a dia,
carregados de simplicidade e sábia experiência.
O meu papai noel
terá a cor, o cheiro, o jeito e o trejeito
do meu Brasil.
E não será simbolizado
apenas por um bom velhinho
mas por todos os pais dessa terra.
Afinal, sou bem brasileiro
e como tal
quero o meu natal
bem brasileiro.
A minha arvorezinha de natal
não precisará estar revestida de algodão
para simbolizar neve.
O meu natal é quente, gostoso, atraente…
Quero a minha arvorezinha no quintal,
bem verdinha,
natural.
Enfeitada com o brilho do sol
e o cântico dos pássaros.
Recebendo tapinhas carinhosos da brisa.
Sacudindo suas ramas
carregadas de frutas gostosas,
recheadas no mais fino sabor
tropical.
Será brasileiro,
mas tão brasileiro será o meu natal
que lembrarei com muito mais fé e carinho
que Jesus Cristo
o meu bom Jesus Cristinho
nasceu em Belém…
Belém do Pará!
Oswaldoir Capeloto é autor do livro “Penteando as Horas”, e também do livro “Lágrimas” esse em co-autoria com o poeta Antonio José Lemos Filho. Participou ainda de vários outros livros de coletânea. Reside em Campo Mourão desde 1.985.
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