“O maior inimigo somos nós mesmos!”, por Alemão, na coluna “Por escrito”
Quando passamos por um conflito, sempre recorremos a três recursos emocionais inconscientes. São eles: defender-se, culpar o outro e sofrer.
Nossa primeira reação ao passar por um problema é se defender, vendo o quanto aquilo é maléfico para si. Então reagimos sempre na defensiva dizendo coisas como: “estou sendo injustiçado”, “não podia ter me deixado”, “só vê o seu lado”…
A segunda reação é negar as possibilidades do seu erro e atribuir a culpa ao outro, pois vemos sempre nossa reação egoísta do quanto somos vítimas dizendo: “você provocou isso”, “cavou a própria cova” “só se aproveitou de mim”.
Já o sofrimento é a reação final com a negação da razão, não encontrando interpretações que deem um caminho à estagnação. Entregue somente a emoções, vemos somente a nossa dor, dizemos coisas como: “não merecia passar por isso”, “estou cansado de sofrer”, “por que fez isso comigo?”.
Muitas vezes dizemos: “as pessoas sempre são más”. Porém, todos também somos maus, sentimos medo, precisamos de amor e afeto. Vemos sempre absolutamente a nossa necessidade individual em qualquer situação, mas não compreendemos que quem está a nossa volta também possui as mesmas necessidades.
Ambos reagimos negativamente um ao outro por só vermos a nós mesmos. Sofremos por alguém, no fim passamos esse mesmo sofrimento que internalizamos para as pessoas seguintes, causamos medo pelo medo que sentimos, machucamos porque nos sentimos feridos.
Então nasce uma corrente, em que causamos o mal que também sentimos. Os recursos que usamos para a autodefesa são os mesmos que nos destroem. Essa corrente só se quebra quando olharmos através do olhar do outro, compreendendo que todos necessitamos das mesmas coisas pra si, com base em nossas próprias necessidades. Para romper essa corrente, devemos substituir a autodefesa por diálogo, culpar o outro por compreensão e tornar o sofrimento numa reflexão, somente vendo além das angustias egoístas alcançaremos um sábio aprendizado para si mesmo.
Alemão
Natural de Campo Mourão, Alemão tem 29 anos e é estudante de História pela Unespar, artista plástico e designer.
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