“O empreendedorismo e seus reflexos na sociedade”, por Rosinaldo Cardoso, na coluna “Por escrito”

* Rosinaldo Nunes Cardoso

O empreendedorismo é definido na literatura contemporânea como um fenômeno social. Essa definição proporciona algumas reflexões e implicações sob diversos aspectos: econômicos, psicológicos, sociais e culturais. Em uma vertente economicista compreende-se o empreendedorismo como um fator primordial alguém que possui comportamentos que atendam alguns requisitos como: responder de forma proativa a desafios e aprender com os erros. Além disso, deve possui iniciativa, ter perseverança e determinação, o que leva a geração de novos empreendimentos.

No entanto, em pressupostos de uma reflexão filosófica, Filion (2010) proporciona uma discussão entre Filosofia e Administração. Nessa perspectiva, é possível entender outra característica preponderante da essência do empreendedorismo que é a liberdade, uma vez que ela impulsiona o ser, independente do motivo que foi deflagrador do desejo de empreender. Isso é o que explica a obstinação de certos empreendedores encontrada em muitos estudos que são efetuados sobre a temática e que traz essa característica como proeminente. Assim, o que se discute é que, no ato de empreender, na ação, que o empreendedor vislumbra o propósito de mudança que almeja, ou seja, não há destino, há a construção de uma realidade. Nesse sentido, pode-se afirmar que o ser somente será livre se estiver constantemente empreendendo.

Quando a liberdade possui uma característica preponderante de potencialidade, o ser pode tomar decisões inerentes à existência que quer para si, uma vez que essa existência definida em um tempo e espaço, condicionada pelo convívio em sociedade, com suas leis e pareceres. Nessa perspectiva, o empreendedorismo não é apenas assunto da economia, da administração, da psicologia, mas sim na essência do indivíduo. Além disso, há que se considerar que a ciência ainda não instituiu as causas do empreendedorismo, apenas os efeitos. Logo, não há consenso acadêmico, ou ainda, não há um paradigma estabelecido. Mas nessa discussão, pode-se entender que a percepção individual e, principalmente, a visão comum por atores empreendedores se desenvolvem a partir de interações sociais, além das intersubjetividades que emergem nessa relação.

Mas afinal, se a ciência não estabelece causas, o que é empreendedorismo? É uma complexidade de discussões intrincada que ainda não foi esclarecido por completo. Exatamente por distintas compreensões em diversos campos, não é possível chegar a uma unicidade de resposta. Contudo, numa reflexão mais intimista, pode-se atribuir que o empreendedorismo possui uma relação com a não aceitação dos problemas sociais e proporciona ao indivíduo chegar a uma ruptura, movidos por uma essência de inovação, por uma missão ou propósito para alcançar a solução e a transformação da sociedade. Empreendedorismo não é apenas um novo empreendimento, mas em uma perspectiva crítica é possível transformar a maneira como o mundo opera e de como é cristalizado socialmente.

* Rosinaldo Nunes Cardoso é Administrador, Mestre em Administração na linha de Empreendedorismo e Mercado, MBA em Gestão de Pessoas e Especialista em Inteligência Competitiva, Professor de Graduação e Pós-Graduação.    [email protected]

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