“Não tive uma infância fácil, e agradeço por isso!!”, por Stephany Alves, na coluna “Por escrito”

Stephany Alves

Hoje eu parei pra olhar à minha volta… O que eu vi me assustou. A realidade atual da geração em construção é simplesmente DESESPERADORA. As crianças e os adolescentes têm acesso a todo tipo de informação. Desde muito cedo, elas têm TUDO ao seu alcance, sabem o preço de tudo, mas o valor de absolutamente nada. A vida das nossas crianças e adolescentes está tão precoce e exposta, que qualquer pessoa tem acesso ao que está acontecendo dentro de nossas casas em tempo real.

Parei para lembrar da casa de aluguel de R$ 70,00 onde eu cresci, na última rua de Peabiru, ao lado de um sitio imenso. Lembrei-me das brincadeiras de rua, da simplicidade da educação e no quanto isso me agregou valores. Lembro das minhas roupas, ganhas de uma prima, que tinha ganho de outra prima. Lembro do meu quarto dividido com meu irmão e minha mãe, com um único guarda roupa de duas portas. Me lembro das cestas básicas, dos calçados usados, e de quando minha mãe chegava em casa com um pedacinho de chocolate que havia sido ganho dos seus patrões, a alegria que era.

Minha infância não foi ruim, não foi difícil como a da minha mãe que andava vários quilômetros descalça em estrada de chão para ir até a escola aprender a ler e a escrever somente. Eu não usei uma mochila de saco de arroz como ela, não colhia algodão e nem tomava banho no rio, mas também não tive uma infância fútil como nos dias de hoje, onde as crianças mandam nos pais e conseguem tudo que querem se jogando no chão… GRAÇAS A DEUS!!

A diferença entre a educação das diferentes gerações é notável. O mercado de trabalho apresenta três, ou até mesmo quatro gerações que têm princípios e valores totalmente diferentes. Infelizmente, a geração mais jovem é caracterizada por querer as coisas da maneira mais fácil possível.

Desde muito nova eu aprendi a trabalhar, a conseguir meu próprio dinheiro de forma honesta e digna, ingressei no mercado de trabalho muito jovem e vejo o quanto isso colaborou pra que eu me tornasse quem eu sou hoje, ainda jovem, mas com uma visão diferente do mundo. Minha mãe, solteira e com três filhos conseguiu gerar três cidadãos de bem, livres de vícios, de crimes e da alienação. Ela conseguiu fazer o que muitos pais de melhores condições já não conseguem. O que eu tenho a dizer sobre isso? Falta postura dos pais.

NÃO dê tudo o que o seu filho pede, NÃO faça todas as vontades dele, ensine valores, mas acima de tudo, seja o exemplo dele, porque princípio a gente aprende vendo, não ouvindo!! Seu filho NÃO precisa de um Iphone novo e nem das novidades virtuais que desprezam a realidade alarmante do país. Ele precisa de pais presentes, precisa ser incentivado a ler ao invés de ficar o dia todo na frente de uma TV ou procurando Pokemon, precisa aprender a ajudar em casa, a pagar suas contas, precisa entender que é o futuro da nação, e que a sociedade não vai o tratar com o mesmo amor e tolerância que você. Não seja um pai negligente, não transforme sua casa em uma fábrica de delinquentes. O futuro agradece!!

Stephany Alves é cristã, tem 20 anos, trabalha e cursa o 6º período de Direito na Faculdade Integrado de Campo Mourão. Achou nas palavras uma forma de construir um mundo melhor e acredita que a educação pode transformar a realidade social de qualquer nação.

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