Lázaro Piunti publica hoje na coluna “Por escrito”

Lázaro Piunti

“SOCORRO, PAPAI”!
“SOCORRO, PAPAI”!

Acordo com o tilintar intermitente do telefone. Quatro e quarenta da manhã de sábado. Madrugada, portanto!

Digo alô e uma voz de mulher grita do outro lado: “papai, socorro, me ajude”… E chora! Uma voz masculina intervém. – “Escutou o grito dela?” Prossegue: “perdeu mano, pegamo sua filha”. Eu já estou completamente desperto, o resto de sono expulso de mim. Dou sequência ao diálogo. “Moço, qual filha está com você aí”? Ele gagueja, a voz feminina começa gritar de novo. Então ele diz: “pegamo sua filha, a mais nova”! E novos gritos, muito choro do outro lado. A menina implora pela segunda vez… “pai, me ajude, eles vão me matar, pai”!

Retomo a conversação com o dito cujo. “Olha, rapaz, muita calma, vamos conversar um pouco, não faça mal à menina, ela é inocente”. E o valentão, engrossando o timbre da voz possante: “ô meu, vamo resorvê na boa, faiz um depósito já na conta que vou passá, senão ela morre”. Mais choro e gritos!

Gastei uns 10 minutos, ou mais, no diálogo com o bandido, ponderando a impossibilidade de fazer o depósito, a quantia pedida achei muito elevada, sou aposentado por idade, só recebo um mil cento e vinte reais por mês. Aproveitei para falar mal da Previdência, perguntei se ele concordava que o Brasil está falido, critiquei o governo, denunciei o abuso do fator previdenciário criado pelo FHC em prejuízo dos aposentados e vergonhosamente mantido pelo Lula e dona Dilma. “Tenho ou não tenho razão, meu amigo”? Ele me pareceu meio sem saber o que falar… Insisti exigindo sua opinião sobre o tema e ele foi salvo pela voz feminina, a implorar agora com elevado teor de desespero que eu negociasse com o sequestrador!

Quando o miserável gritou que ia encerrar o papo, ou eu arrumava o dinheiro ou ele iria estuprar e matar a refém eu fiz uma proposta: “Cara, sem violência, não precisa estuprar e nem matar, que é isso, você vai pegar cana pesada, isso é crime hediondo, proponho uma saída melhor, você a liberta na boa, e eu vou fazer um pedido para um deputado federal conhecido, para que faça um projeto humanizando os presídios, assim você, quando for preso e condenado um dia, vai encontrar ambiente de ressocialização adequado e que você merece, porque você é um ser humano”. O sujeito pronunciou um palavrão, emendando que eu fosse para o ventre da mãe que me pariu. E declarou que iria matar minha filha agora! Desligou.

Uns três minutos depois ligou de novo cobrando: “então, velho, vai concordar ou não, é a última chance, sua filha perdeu, vai morrer”. Eu disse calmamente: “você tem certeza que ligou no número certo”?
“Sabe, moço, eu não tenho filha”! E desliguei – ainda com tempo de ouvir dele um tremendo palavrão!

* fato real ocorrido no início da primavera do ano findo! [email protected] – 05-01- 2015.

Tasabendo estreia coluna “Por escrito”

Conheça a coluna “Por escrito”. Recomendo! Convide-se a conhecer o que pensa o seu leitor (por escrito) sobre sua opinião. Seja por um artigo, poesia, prosa, ou ainda, por uma crônica de um morador, dizendo tudo o que (para ele) está certo ou errado. Que seja um texto, da natureza que for.

Há espaço para comentários. Aí, esse “cuidar e fazer” do texto vai de cada um. Lembrando sempre que “o melhor ainda está por vir”. E, se achar oportuno, concluindo que enfrentamos uma crise política (e econômica), em que a presidente exemplifica “seu” combate à corrupção, com os suspeitos de seu próprio partido.

O espaço é democrático. O próximo autor pode ser você! Envie seu texto com foto e nome completo para o e-mail [email protected]