“História de um amigo fiel”, por Nayara Costa, na coluna “Por escrito”

Nayara Costa de Souza

Em uma tarde de domingo, saí para dar uma volta e comecei a prestar atenção no que havia ao meu redor. Sentei num banco da praça e tentava achar imagens interessantes para que assim pudesse ter com o que me distrair naquele momento, pois tinha saído de casa com objetivo de voltar diferente, com uma nova história para contar, ou para apenas daqui a algum tempo ter o que me lembrar daquele dia.

Neste momento, vi um cachorrinho sentado ao lado de um senhor, jazendo em dores, pois passavam muitas pessoas ao seu lado e não o ajudavam naquilo que precisava. Fui e me sentei ao lado do senhor, e comecei a fazer-lhe perguntas, pois sabia que aquele homem era solitário e se eu não pudesse ajudar com medicamentos pelo menos aliviaria a solidão.

Primeiramente fui logo me apresentando: ─ Olá! Meu nome é Lassye! Como o senhor se chama?

Um pouco assustado o homem respondeu: ─ Me chamo Luiz! Como teve coragem de chegar e começar uma conversa com um velho inútil como eu?

Logo respondi: ─ Meu senhor, aqui na Terra estamos apenas de passagem. A vida é como se fosse uma viagem, às vezes longa, às vezes curta. Não vale a pena fazer acepção de quem conversar ou não. É claro que devemos ter muito cuidado.

Perguntei também a respeito de sua saúde, do que havia acontecido para ele estar naquele estado, jazendo em dores na praça. Ele me respondeu: ─ Minha filha! Posso te dizer que a dor no meu coração é maior do que no meu corpo, pois sinto uma solidão quase incurável dentro de mim.

Perguntei o porquê da solidão. Foi aí que ele me disse que sua família o havia abandonado há 10 anos, e que naquele tempo todo o único companheiro dele era aquele cãozinho que estava naquele momento tentando achar alguma coisa para apartar um pouco a fome.

Então vi naquele momento qual era a minha missão: cuidar com muito amor daquele homem juntamente com seu companheiro de vida. Ao lado da minha casa havia um lugar muito bom para se aconchegar por algum tempo. Conversei com o responsável e ele me autorizou com muitíssima bondade que aquele homem se abrigasse ali, mas que seu companheiro não poderia passar do portão para dentro.

Com o passar do tempo, visitando todos os dias aquele abrigo, houve melhoras e pioras na saúde do sr. Luiz. Um dia vi que seu amigo estava numa tristeza inconsolável. Fui lá e, sempre com minha mania de falar com animais, perguntei o que havia acontecido. O animalzinho apenas olhou e soltou um uivo de dor e amargura. Foi então que percebi que nada estava legal.

Entrei no abrigo e perguntei o que estava acontecendo, qual era o motivo de tanta tristeza do cachorrinho companheiro. Eles me deram a triste notícia de que o Sr. Luiz havia falecido pela manhã, e que desde o momento de sua morte o cachorrinho não parava de uivar.

Queria entender o que aquele pequeno estava dizendo. Então entrei no íntimo de meu subconsciente e pude então entender a sua linguagem. E ele dizia: ─ Vai com Deus meu amigo, vai com Deus! Que do céu possas sentir o calor do meu companheirismo. Se pensas que vou te abandonar estás pensando errado. Agora que vou te acompanhar pelo resto de minha vida. Nem que eu viva só mais um minuto, mas esse minuto vai ser para te honrar.

O cãozinho deu um último uivo e deitou sua cabeça sobre as patinhas dianteiras machucadas de tanto andar com seu amigo. Naquele momento vi que foi o último uivo de tristeza que tinha dado, pois desfaleceu eternamente pra junto com o sr. Luiz gozar das formosuras do Criador.

Mas sabe que nesta história, mesmo não sendo real, tem uma moral muito significante? Pois o nosso Deus deixou escrito nas escrituras sagradas que: “O amigo que ama em todos os momentos é um irmão na adversidade.” (Provérbios 17:17) e “Não abandone o seu amigo nem o amigo de seu pai; quando for atingido pela adversidade não vá para a casa de seu irmão; melhor é o vizinho próximo do que o irmão distante.” (Provérbios 27:10)

E em outra parte diz: “Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todos o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo.” Quer dizer que, em todas as circunstâncias, não devemos abandonar aquele que tanto nos ama, pois o nosso próximo pode ser aquele que mais menosprezamos.

Por isso ame enquanto é tempo, busque enquanto há vida, aproveite para fazer dos pequenos momentos lembranças inesquecíveis na sua vida. Ame o seu próximo assim como fez este cãozinho, que amou seu dono até a morte. Coloque o Senhor Jesus como seu exemplo, pois ele morreu por mim, por ti e por todos nós.

Nayara Costa Tomazzini de Morais, amante da Literatura Brasileira, trabalha na Sisgraf.

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