“Fracasso”, por Francielly Castro, na coluna “Por escrito”
Há tanta dor
As palavras se esvaem
Ouvi gemidos
Gritos de misericórdia
Ecoam em mim
-Salve-me! Salve-me!
Mal sabia ele
Que nem a mim salvei
Que em minhas entranhas
Está a mais profunda tristeza
Que chora trancada em seu quarto
Que chora com vinhos doces
Que chora por seu fracasso
Que se lamenta pelo passado
E seu presente infeliz…
Como ela é triste
E ninguém sabe
Ninguém diz
Porque ela se maquia
Pinta sua boca carmim
Arruma os cabelos
Se veste como santa
Adornada
Seus olhos negros não mentem
Mórbidos olhos
De quem só queria salvar
Aquele que mais amou
A protegeu da vida
A vida que não quer mais viver
Não consigo mais
Assim resto
Em minha tumba
Escrevendo para não morrer.
Nasci em Campo Mourão, e nela morei até o ano de 2001, quando mudei para Maringá. Comecei meus versos pelo incentivo da professora Geni Engelman, que na 5ª série no Colégio Unidade Polo me apresentou a Mário Quintana e Cecília Meireles. Desde então venci vários concursos de poesias, contos e como intérprete também. Em 1999 fui convidada a fazer parte da Associação Mourãoense de Escritores, onde participei de sarais e de uma coletânea de poemas Caminhos In Versus, meu único livro, rsrs… Em 2003 ingressei no curso de Direito na UEM, e hoje sou advogada em Maringá.
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