“Eu continuo acreditando”, por Carlos Lucas Fortes, na coluna “Por escrito”

Encontrar uma pessoa que me seja suficiente, alguém que, quando estiver comigo, eu não precise de mais nada, de mais ninguém. Alguém que me faça acreditar que tentar vale a pena. Tenho meus sentimentos como um muro em construção, que a cada vez que me decepciono, ou mesmo que algo não dá certo, é como se uma nova camada desse muro fosse construída, me deixando um pouco mais defensivo para quando ‘tentar de novo’.
Não digo que não acredito mais no amor, ou que a pessoa certa é um ‘mito’, mas a cada nova decepção, a esperança da pessoa certa chegar e me fazer entender o que realmente significa amar, diminui. Não canso de tentar, conhecer, me entregar, quebrar a cara, chorar, me reerguer e novamente tentar. Pode parecer clichê, eu sei, mas eu acredito em encontrar uma pessoa que me faça entender, por que não dei certo com mais ninguém antes dela.
Muitas vezes digo que “me procuro” nas pessoas com quem tento me relacionar, e não acho que isso seja ruim, afinal… Eu não me magoaria, não é mesmo? Mas também deveria entender que as pessoas são diferentes umas das outras, e que mesmo que eu encontre alguém absurdamente parecido comigo, teremos diferenças, e lidar com elas vai ser inevitável. Caso não tente lidar com as diferenças, claramente a relação não dará certo.
Mas em muitos casos, não são as diferenças que fazem com que eu e mais alguém não demos certo, e sim a falta de harmonia, a falta de reciprocidade. Não sou uma pessoa de meias palavras, meios sentimentos, não sou uma pessoa de metades. Preciso de alguém que assim como eu, esteja completo e que quando estivermos juntos, nenhum precise do outro para se sentir inteiro, mas que um precise do outro para se sentir mais, se sentir transbordado. Não quero alguém para me dar prazer, ou melhor, não quero alguém para me dar só prazer. Quero alguém que me dê atenção, carinho, segurança. Alguém que quando eu me entregar (o que não é muito difícil) não tenha medo de me segurar nos braços e dizer que está comigo.
Para cada decepção, uma nova camada do muro é feita, lembra? Muitas vezes, fui tomado como insensível, sem coração, ou outras variantes desse tipo de adjetivo, nos quais todos querem dizer que sou (ou que me tornei) uma pessoa fria. E eu discordo claramente, só estou me protegendo, gosto de assim dizer. Cansei de me machucar, sem valer a pena o machucado, cansei de chorar, sem valer a pena a lágrima que rolou pelo meu rosto enquanto meu pensamento estava em uma pessoa que se quer teve a coragem de dizer “eu não quero mais”.
Se chegou até essa parte do texto, ou é por que concorda comigo, que as pessoas vão se retraindo, cada vez mais, a cada nova decepção, ou é por que estas rindo da minha cara e me achando um completo idiota. Pois fique sabendo que as duas alternativas estão corretas. Eu sou sim um completo idiota, tão idiota que não me importo em amar sem ser amado, demonstrar o que sinto em meio a um mundo em que reciprocidade é raridade, sentir é “estranho” de demonstrar e fora de moda.
Sou idiota a ponto de querer entender, por que fui “largado”, idiota a ponto de perdoar, por pior que tenha sido a situação, e ainda, sou idiota por acreditar no amor, por acreditar que eu posso encontra-lo. Não eu não quero que concordem ou discordem de mim, só quero que conheçam meu lado. O mundo está chato, pessoas não demonstram o que sentem, com medo do que as outras pessoas vão achar disso.
Ame mais, sinta mais, o mundo precisa de mais pessoas demonstrando sentimentos, já passamos por frieza e dureza demais no dia a dia. Tente demonstrar mais, não estou dizendo que saia falando que ama a todos ou coisa do tipo, mas um elogio de vez em quando, um bom dia a um desconhecido na rua, demonstre, não que ama a todos, mas que se importa com cada um. Eu ainda acredito no amor, embora ele pareça um mito na atualidade. Vou continuar amando, continuar demonstrando, continuar quebrando a cara e chorando, se um dia o muro que me deixa defensivo chegar a ser finalizado, quero que saibam que carrego comigo uma marreta, gosto de chama-la de esperança, se eu não me ver mais sentindo ou demonstrando, quero derrubar esse muro e começar tudo de novo. Afinal, eu ainda acredito no amor, no sentimento, eu ainda acredito nas pessoas.
Carlos Lucas Fortes. 21 anos, escritor, designer, desenhista e sonhador. Amante de café, livros e séries. Pisciano com ascendente em câncer e lua em escorpião, acabo mergulhando em oceanos profundos, mas volta-e-meia é necessário vir à superfície para respirar.
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