“Deus lhe pague”, por Anna Cláudia Sartori Maggioni, na coluna “Por escrito”

Quantos postes republicanos, mensalões e mensalinhos? Quantos prédios inacabados, creches, escolas e postinhos? Quantos foram desviados, quantos foram e nem vimos? Quanto tempo ainda falta pra você descobrir que você não vota em candidato A, B ou C? O seu voto de dois em dois anos é em prol ou contra a dona Maria esperando a quimio na fila do SUS, ou pro João, Marcos, Dayvid com 1 ou 2 anos que só mama se o governo der o leite.
É pro seu tio, tia, primo que uma hora ou outra vai precisar de um atendimento público de qualidade, ou de emprego. Quem não precisa de emprego não é? Seu voto vai pra quem precisa comer e não sabe de onde tirar, pro povo fedido na o ônibus lotado tentando com o suor do rosto fechar as contas do mês. Seu voto, vai pra carne, leite e feijão que o pobre parou de comer. Pro mercado que virou sinônimo de carrinho vazio.
Seu voto vai pro buraco, junto com o carneiro, o frango, o porco que você não come. Buraco esse para o qual você também irá uma hora ou outra. Entenda, o seu voto não vai pro candidato embecado, cheiroso, que sai bem nas fotos. Nem pra esposa boa moça que promete ajudar a população carente e dois meses depois do candidato eleito, nem sabe mais quem o elegeu.
Seu voto, é em mim, na sua mãe, na sua comunidade, ele faz diferença na minha vida e na sua também. É querido, é pau, é pedra é pó, é proposta, denúncia, é avião, é empreiteira, Guarujá, é Cunha, Bolsonaro, Marina Silva, é partido verde, comunista, social democracia, PMDB, PSDB, DEM, muita sigla pra pouca ação. No fim é muita estrada pro mesmo caminho. Aquele caminho que só dá no mesmo lugar. Não me importa em quem você vota, desde que você vote em mim, por mim, por nós.
“Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir. Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir. E pelo grito demente que nos ajuda a fugir. Deus lhe pague”.