“Desgovernado”, por Osvaldo Broza, na coluna “Por escrito”
Campo Mourão, apesar de relativamente pequena (não chega a 100 mil habitantes), tem um trânsito de cidade grande que, de vez quando, dá raiva. Principalmente nos horários de pico, como entrada e saída de alunos, abertura e fechamento de bancos, saída do trabalho, etc.
E nos dias de maior movimento (com tempo chuvoso é ainda pior) é quase impossível estacionar na área central.
As dificuldades começam bem cedo, antes das oito, com a maioria das vagas já ocupadas por proprietários e funcionários de lojas. Não é sem lógica que, de vez em sempre, jovens ocupem vagas destinadas a idosos e “saradões/saradonas” tomem vagas de deficientes.
Já pegaram até famosos fazendo essas peraltices.
Há muito se fala em regulamentação do sistema, com a criação de estacionamento rotativo, mas só fica na conversa. É só estudo, estudo, estudo… E haja pintura e repintura de faixas!
Com isso, os abusos são cada vez mais abusados (o pleonasmo é de propósito), como carros usados à venda enfileirados em um bom pedaço de avenida movimentada, como se a rua fosse extensão (ou vitrine) do vendedor. E aquele ônibus de lanches que tem estacionamento cativo (noite e dia) em um dos locais mais movimentados da cidade, embora só funcione à noite. E faz tempo! Dizem que todo mundo reclama, mas, como não existe lei regulamentando, certo (esperto) está ele. Eu, “tongo”, fico dando voltas na quadra procurando uma vaga.
Em consequência desses e outros abusos, como a desatenção, o desrespeito e velocidade excessiva de alguns motoristas e motoqueiros – e a falta de ciclovias, claro -, as bicicletas, invariavelmente, dividem as calçadas com os pedestres.
Dias desses quase fui atropelado por uma delas. Houve, na verdade, um pequeno choque, por trás, tipo “de raspão”, como se diz, sem maiores consequências.
– Me desgovernei, limitou-se a dizer o bicicleteiro.
Mas o susto não foi pequeno. Meu e dele. O dele foi maior, porque fingi que me machucara e sentia muita dor.
O meu teatro (brincadeira) serviu para um final sem constrangimentos – e de muitas risadas – de um quase acidente em que por pouco não fui vítima de um trânsito desgovernado.
Osvaldo Broza é corretor de imóveis e escritor.
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