Carlos Eduardo Kadu publica hoje na coluna “Por escrito”

VOU POUCO

Vou pouco a lugares em que as forças mais odiadas entre si, se unam contra qualquer companheiro com possibilidade de superá-las.

Vou pouco a prédios, normalmente antigos, em que colegas de trabalho sonhem em deitar-se sob a sombra de uma árvore, à beira do rio, para ver passar o cadáver de qualquer um com salário maior que os seus, ou de quem possa, em tempo, assumir uma função almejada por eles.

Vou pouco a ambientes em que as decisões coletivas sejam tão particulares que, para tomá-las, os “passageiros” do poder tenham que chegar de camburão.

Vou pouco às escolas tão vazias de gestão estadual que, por justa razão, já não sejam atrativas para o trabalho ou aprendizado de alguém.

Vou pouco a lugares em que os senhores bem trajados, bem votados e muito bem tratados pela nação, ainda se ocupem em dividir o que é de todos entre situação e oposição.

Vou pouco aos hospitais de filantropia muito desejável a quem possa pagar ou tenha a receber. Ou aos hospitais de morte pública, onde morrer está 24h em “promoção”.

Vou pouco, mas o suficiente para me perguntar: Onde a humanidade vai parar? Quando vai parar? E, se parar, será por consciência ou por consequência de se exterminar?

Carlos Eduardo Kadu é redator do Tasabendo.com

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