“Camisa 12″, por Diene Castro, na coluna Por escrito”

Diene Castro

Lá está ele mais um dia caindo e levantando, buscando alcançar as bolas mais longas completamente suado. Sua camisa de manga longa toda suja e até um pouco rasgada nos cotovelos, de queda  em queda se desgastavam um pouco e a cada elogio do seu preparador um sorriso se abria, um sorriso de satisfação, satisfação com si mesmo.

E novamente ele está lá sozinho, ele e a trave, apenas os dois, um momento que antecede a mistura de sentimentos durante 90 minutos, felicidade, tristeza, emoção todos ao mesmo tempo em um só coração, dando uma ultima ajeitada em sua luva e logo em seguida ergue suas mãos para o céu pedindo para que Deus possa iluminá-lo nesse momento  tão importante.

Ao ouvir o apito do juiz a adrenalina percorre por todo seu corpo fazendo com que instantaneamente sua expressão de preocupação mudasse para uma séria e fechada. A todo momento a bola se aproximava da pequena área e, como um gato, lá estava ele pulando para afastar o perigo. A cada defesa ele gritava com seus zagueiros pedindo mais atenção.

E de repente uma grande confusão na pequena área e ele escuta um apito que soa como se não houvesse ninguém ao seu redor.
– Pênalti; o juiz grita e com a mão direita ele aponta para a bolinha que existe no centro da pequena área.

E lá estava ele sozinho, mas dessa vez ele carregava uma grande responsabilidade e sabia disso o que só fazia com que ele ficasse mais nervoso e ao mesmo tempo confiante. Enquanto renovava seus pedidos a Deus para ser iluminado, alguns de seus parceiros iam até ele desejar boa sorte dizer palavras de apoio e passar confiança.

Quando se deu conta, ele estava cara a cara com o camisa 9 do time adversário. Seus olhos fixos nos olhos do centroavante que dificilmente perdia um pênalti, aquele momento que parecia nunca se acabar; finalmente depois de muita troca de olhares e até provocações, o juiz apita e acaba com a angústia de todos os presentes.

Em um chute que parecia ser impossível de ser defendido não era, ele o goleiro camisa 12 em um salto com as pontas dos dedos desviou o caminho da bola que tinha rumo certo. No mesmo instante uma onda de alegria tomou conta do estádio.

Todos os seus companheiros o foram cumprimentar e mantendo a pose de durão com suas mãos erguida para o céu,  ele agradecia, pois o que ele havia pedido tinha sido concedido. Apesar da glória, ele não se deixa levar porque sabe que na sua profissão de goleiro tudo poderia ter sido diferente.

Oi meu nome é Diene de Castro, tenho 17 anos, sou estudante do terceiro ano do Ensino Médio da Escola Ivone Castanharo. Sou completamente apaixonada por futebol. Fiz uma crônica sobre o assunto na aula de português e a professora me incentivou a publicá-la.

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