“Ao Mestre”, por Alemão, na coluna “Por escrito”

Acredito que para se trilhar um caminho que leve a qualquer objetivo, seja ele qual for, é preciso seguir alguns passos que seguem uma trajetória comum a todos.
Todos nos perdemos dentre rebanhos de movimentos coletivos, impensados e reativos, donde imaginamos que possa haver um propósito fundamental que dê sentido a toda essa povoação e guie nossa jornada por essa passagem. Eis que nosso impulso primordial (a cada indivíduo) clame até o dia em que deva encontrar um mestre, que será aquele que o fará despertar a si mesmo para contemplar uma estrada para a própria jornada. O papel desse mestre é fundamental para que saibamos como olhar os sinais que nos levaram a seguir nosso caminho. Somente assim, a jornada será iniciada, sobre a luz lançada pelo mestre nos vislumbrando um novo paradigma.
Amparado por ferramentas e um farol, podemos então vislumbrar o mesmo mundo com outra lente. Então nossa nova luz nos permitirá encontrar sabedoria em outros mestres, não importando seu status, mas sim seu modo de encarar cada passagem. Nesse novo estágio do caminho, muitos serão os mestres pois a sabedoria está em você. Só será necessário alguém para o seu parir, te lançando uma luz ou de carregando a uma nova escuridão para desafiá-lo a encontrar novamente uma saída que você deve trilhar.
Talvez, não parecendo muito distante, mas quando ao olhar para trás não enxergar mais caminho possível, retroceder só haverá um sentido para ir. Nesse estágio, os mestres não são mais o sábio além de você, pois cada um se restringe ao vislumbre do próprio caminho, mas a sabedoria que lhe propicia compreender um ensinamento com o próprio singelismo natural de seu meio. A natureza e o que sempre esteve dentro de si, serão os novos objetivos e lições capazes de mostrar que o princípio de toda a evolução sempre estiveram interiormente. Neste momento enfrentará o universo que habita refletido dentro de ti. Após superá-lo e superar-se, não haverá mais caminho, pois, você já é um reflexo do todo.
Ao perceber isso, aquele que começou como seu mestre não lhe cabe mais pois o que ele o ensinou a perceber, estará além da compreensão dele próprio, pois o horizonte de cada um perante a própria jornada é singular. Você será o mestre de si, porém, saberá que a si mesmo só será nada mais do que parte de algo maior e deverá se tornar o mestre daqueles ainda necessitam de uma luz pra aprender a trilhar o próprio caminho e que não será o seu, mas precisa de alguém que o ensine a usar as ferramentas pra edificar seu próprio mundo. A gratidão nutre a corrente que o despertou, o não julgamento liberta para a compreensão de todas a verdades e das tentativas de ilusão, a cisão representa uma superação de si e a não dependência é o único caminho para descobrir o maior dilema que sempre será o que te limita dentro de si mesmo.
Natural de Campo Mourão, Alemão tem 31 anos e é um peregrino de si, pelos caminhos do mundo.
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