“Amor e o Ego”, por Alemão, na coluna “Por escrito”
Difícil entender esse sentimento, que cada um sente e conquista de maneira diferente. A questão aqui é: o que é amor e o que é a nossa necessidade puramente egoísta de algo?
“Estou sozinho e preciso de alguém”, “perdi quem amava”, “não sou correspondido”, “acho que não te amo mais”… Situações como essas são clichês.
A sociedade nos bombardeia com a ideia de amor e felicidade numa união estável pra construir uma vida. Também vivemos num mundo onde tudo é superação, conquista, valores etc. A partir disso, sentimos que se não há alguém, estamos sós. Temos sempre que ter alguém para conquistarmos e nos conquistar, depositar amor e principalmente para nos amar. Mas não somente amor! Precisamos de alguém que cuide, se preocupe, dê atenção, complete e satisfaça, que traga “felicidade”.
Muitas vezes em excessos de carência ou de desafio, sufocamos dando atenção demais, ou exigindo demais. Movidos pela conquista, nos envolvemos, tentando alcançar o poder sobre a atenção do outro. Quando conquistamos 100%, nos deparamos com o fim, pois a conquista do jogo perde a graça e o próprio objeto de desejo não desperta mais a mesma motivação. Como uma corrida que após chegar ao podium já se planeja a nova competição.
Nesse jogo, podemos perder o objeto de desejo pra outro jogador, e então sentimos a falta daquela atenção que até então nem tinha tanto valor, mas o perder é algo mais difícil de admitir pra si. Para o ego apesar de ser difícil largar é melhor que ser largado. Será que vemos se realmente era algum sentimento verdadeiro ou só uma atenção que precisamos pra nos sentir valorizados?
O mesmo ocorre quando alguém se dedica demais em uma relação ou alguém desejado, por um amor verdadeiro ao outro, isso faz com que a demonstração de afeto chegue a incomodar o outro, até que o sufoca. Assim vem a insegurança, carência, cobrança e até o ciúme possessivo, então achamos que não somos correspondidos. Não percebemos que cada um precisa conquistar e ser conquistado, quando algo é demais, incomoda. No fim são ótimos companheiros, mas perdem a graça e a necessidade de conquista, competição e desafio volta a ser despertada no outro.
A competição nutre o ego, mas a conquista muitas vezes perde a graça, nisso aquelas pessoas ditas “cafajestes ou cachorra” são desejadas e conquistadoras, pois difícil acesso ao seu sentimento verdadeiro as torna objeto de desejo e competição, afinal não te depositam sentimento nem responsabilidade. Não estamos preparados pra ser amados verdadeiramente, pois ser amado exige amar, e o egoísmo só vê o que precisa, não aceita o que precisa retribuir. Muitas vezes não nos achamos nem merecedores e nem capazes de retribuir, e a dedicação do outro vem com um peso que não queremos suportar. Superar problemas, compreender, construir e amar são os únicos passos que nos libertaram do egoísmo.
Alemão Natural de Campo Mourão, Alemão tem 29 anos e é estudante de História pela Unespar, artista plástico e designer.
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