“A tristeza e a Alegria”, por Nayara Costa de Souza, na coluna “Por escrito”

Nayara Costa de Souza 2

Era uma vez, uma menina por nome de Angelina que, por meros motivos vivia reclamando da vida.

Um dia, andando pelas ruas de sua cidade, viu outra garotinha da mesma idade estampando uma alegria contagiante que, por onde passava todos ficavam admirados.

Com um pouco de inveja, quis conhecer a menina e saber qual era o motivo de tanta alegria. Chamou a garota e perguntou seu nome, e esta se chamava Maria Vitória. Já em seguida perguntou o que motivava a autoestima de Maria.

Por educação, Maria, primeiramente perguntou o nome de sua nova coleguinha, que se apresentou, e logo foi contando sua história de vida:

– Angelina! Perguntaste-me qual é o motivo de minha alegria e agora vou te contar, mas se quer saber em detalhes vai ter que entender e ouvir a história por inteiro.

Tenho apenas 11 anos e sou órfã de Pai e Mãe. Vivo num orfanato juntamente com meus três irmãos, mas lá fomos abandonados por nossos familiares (tios (as), primos (as), etc.

Há uma semana tive um diagnóstico de câncer maligno no intestino, juntamente com uma doença rara que nem eu sei o nome (risos).

Angelina se impressionou ao ver Maria falando com tanta normalidade de seus problemas. Sendo assim perguntou:

– Maria! Como é possível viver tão alegre assim com tanta coisa ruim que aconteceu no seu passado?

Maria, com sábias palavras deu continuidade no assunto:

– Amiga! Antes de te responder vou te fazer uma pergunta: O que te leva a querer saber de minha possível alegria?

Angelina respondeu:

– Meus pais brigam comigo todos os dias. Falam que não é para eu fazer coisas que todas as meninas da minha idade fazem normalmente. Meu pai é dono de uma construtora muito bem sucedida, me dá o que pode, mas nunca me dá o que quero.

Maria respondeu severamente:

– Deverias estar feliz! Pois tem seus pais para estarem do seu lado em todas as horas, mesmo que você não perceba.

Angelina! Deverias agradecer seus pais por te corrigirem. Pois se não fosse assim, sendo você tão nova, certamente estarias em um mundo não desejado, no qual todos te desprezariam.

– Continue com a história! – disse Angelina já com o semblante diferente:

– Então! Os médicos me disseram que tenho apenas um mês de vida, pois o câncer está espalhado por todo o corpo e a doença está cada dia mais se agravando.

– O que você faz quando sente dores? Perguntou Angelina.

Maria respondeu:

– Todos percebem que estou com dor quando começo dar risadas sem parar. No mesmo tempo que tenho dores, sinto cócegas por todo o corpo sem ao menos alguém estar tocando em mim. Isso me faz rir sem parar!

– Contaste-me sua história, mas até agora não me obtive respostas das duas primeiras perguntas! Indagou Angelina.

Maria olhou para o chão e voltou seus olhos fundamente em Angelina, até que perguntou:

– Queres mesmo saber o motivo de tamanha alegria?

– Sem sombra de dúvidas! Respondeu Angel.

Maria respondeu:

– Um único motivo já é o que basta para eu ser feliz. Mas o que me faz mais feliz ainda é que, apesar de tudo o que passo, sei que tenho um Deus que tudo pode. Sei que Ele está ao meu lado passando comigo o que tenho de passar. Pois essa é minha cruz, e o que é meu não posso dar para outros passarem em meu lugar.

Mas além deste motivo, tenho outros para ser feliz neste um mês de vida. Sei que irei morrer, mas não porque os médicos me disseram isso. É porque constantemente tenho conversa com Deus, e Ele me disse assim que o meu tempo de encontrar meus pais lá no céu chegou, porque este mundo está muito contaminado e eu não aguentaria ver o que há de acontecer aqui.

Então como não sei o dia exato em que os anjinhos virão me buscar, vivo cada dia como se fosse o primeiro da minha vida. Exploro o máximo das coisas que mais amo aqui. E o que estou feliz é que vou encontrar com meus pais, e meus irmãos ficarão em ótimas mãos.

– E o seu passado? Como pode se lembrar com tanta delicadeza? Questionou Angelina.

– Ah… Angelina! Dói tanto lembrar meu passado. Mas mais dolorido ainda é lembrar com tristeza tudo o que passei. Por isso deixo meu sorriso estampado em meu rosto quando lembro o que deixei para trás, para mostrar que, assim como fui e acredito que sou vencedora, os meus próximos também têm esta mesma capacidade de ser feliz com o mínimo que pode ter.

Angelina se despediu de sua coleguinha e foi para sua casa. Pediu perdão aos seus pais por tudo o que falava antes de ouvir a história de Maria e prometeu que iria respeitar mais eles.

Mais tarde ficou sabendo que sua amiga havia falecido e foi ao seu velório. Chegou lá e viu que mesmo sua amiga estando no caixão não apresentava um semblante descaído.

Foi aí que chegou a conclusão de que, nem a vida, nem a morte, nem os anjos, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir nos poderão separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Nosso Senhor.

Nayara Costa de Souza é secretária na Gráfica Sisgraf, tem 18 anos e está no quarto ano do Ensino Médio Técnico em Administração no Colégio Estadual de Campo Mourão.

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