“A dor da separação”, por Rosana Oliveira, na coluna “Por escrito”

Certo dia, chegando do trabalho, minha mãe me pediu para ir até o hospital local para ver meu pai, pois ele havia machucado o joelho e ela estava preocupada com a demora. Ao chegar ao local, havia apenas uma enfermeira atendendo uma moça na recepção. Pude notar que essa moça estava em estado de choque, sem reação, seu semblante pálido. Ela olhava fixamente para a ficha que a enfermeira preenchia com a mão esquerda na boca. Após algum tempo, algumas lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.
Ela, então, desorientadamente, senta numa cadeira próxima e começa a repetir “Minha mãe, não, e agora?”. E o desespero começou a tomar conta dela naquele momento. Meu coração ficou compadecido. Senti uma vontade enorme de abraçá-la, quando, por fim, tomei coragem de fazer… entra correndo uma de suas amigas que a abraçou e repetia “Tá tudo bem… tá tudo bem..”.
Então o choro tomou conta das duas enquanto a moça repetia “Minha mãe… não pode ser verdade! E agora, o que eu faço? Minha mãe”. Então eu entendi o que estava acontecendo. Ela havia acabado de perder sua mãe, e por mais que o sentimento de compaixão tivesse tomado conta de mim naquele momento, eu nunca saberei a real dor daquela moça.
Separar-nos de quem amamos não é algo fácil, simples de fazer, mas pude notar em meio ao desespero daquela moça que havia algo mais doloroso que a separação. Algo maior que o fato de não se ver mais a pessoa que se ama, era a dor de palavras não ditas carinhos não feitos gestos desperdiçados. Em suas inúmeras possibilidades de separação é possível amenizar a dor, com um abraço dado inesperadamente, um beijo roubado, um cheiro, um bom dia, boa noite.
Peça desculpas e desculpe os outros afinal perfeição nunca foi o forte do ser humano. Não espere uma oportunidade, faça as oportunidades. Não durma dizendo boa noite a uma fotografia. Elas não podem sentir seu carinho. Não desista no primeiro dissentimento, afinal, nunca saberemos quando nos separaremos de quem amamos.
Rosana Oliveira é natural de Campo Mourão, trabalha como tecnóloga ambiental, é Formada em Tecnologia em Gerenciamento Ambiental pela UTFPR-Câmpus Campo Mourão, pós graduada em Geografia e Meio Ambiente e atualmente cursa Segurança do Trabalho.
Participe da coluna “Por escrito”! Mande seu texto (artigo, poesia, prosa, crônica, etc), com foto e breve biografia para [email protected]