Vice-prefeito também divulga nota sobre Caso Gaeco; confira
O vice-prefeito de Campo Mourão, Rodrigo Salvadori, também emitiu uma nota à imprensa sobre o vídeo publicado em uma rede social, que aponta ele e o presidente da Câmara como mentores de uma armação política.
Confira a nota na íntegra:
Que se restabeleça a verdade
Mesmo evitando tecer qualquer comentário relacionado a suposta prática ilegal de arrecadação de parte dos salários de servidores comissionados, sob investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), até a conclusão do inquérito, me vejo obrigado na condição de Vice-Prefeito de Campo Mourão, em respeito à População Mourãoense, a externar as seguintes considerações sobre a citação criminosa de meu nome e do Presidente da Câmara de Campo Mourão,Pedro Lourenço Nespolo, em um vídeo divulgado em um site de compartilhamento de imagens atribuindo à nós uma hipotética ‘armação política’:
1.) Há cerca de quinze dias, recebi um telefonema do presidente da Câmara Municipal de Campo Mourão, Pedro Lourenço Nespolo, informando que o servidor comissionado Osmar Lima Barbosa, vulgo ‘Espaia Brasa’, havia procurado uma ex-funcionária comissionada do município, com a qual mantinha laços de amizade, relatando que estaria supostamente sendo pressionado a mentir em depoimento para o qual fora convocado no Gaeco. Conforme o relato de ‘Espaia Brasa’, se ele não aceitasse as ordens, emanadas através de secretários municipais, sua família seria despejada de uma casa pertencente ao município e o mesmo seria demitido dos quadros da prefeitura.
2.) Por telefone, o presidente da Câmara me informou que iria solicitar ao servidor ‘Espaia Brasa’ que gravasse a suposta coação e que enviaria a gravação para apuração dos órgãos responsáveis pela investigação do caso.
3.) Dias depois, fui procurado pessoalmente por ‘Espaia Brasa’ que me reafirmou estar sendo coagido na prefeitura. Informou que estava em período de férias e que mesmo assim fora procurado na sua casa para afirmar em depoimento que nunca havia pago qualquer parte de seu salário para suposta arrecadação que está sob investigação. O servidor chegou a chorar durante o encontro, dizendo que temia pela segurança de sua família. ‘Espaia Brasa’ afirmou ainda que iria depor e depois iria para a cidade de Pontal do Paraná, no litoral do estado, para lavar um telhado. Me mostrou uma passagem fornecida pela Prefeitura e solicitou que eu emprestasse R$ 300,00 à ele, pois estaria sem qualquer dinheiro. Retirei o dinheiro da carteira e emprestei a quantia solicitada, mesmo sabendo que o mesmo não teria condições de me devolver. O empréstimo de R$ 300 jamais esteve condicionado a qualquer pedido meu e sim com o objetivo de atenuar o estado de penúria do mesmo. Também não creio que o citado servidor aceitasse esse valor para faltar com a VERDADE. Creio que o mesmo deve ter recebido soma bem superior, com suporte de outras pessoas, para atuar nesta tentativa de engodo da população.
4.) Durante a conversa que mantive com o servidor, disse apenas que ele devia falar a VERDADE. Em nenhum momento, agi de outra maneira. Afirmei ainda que se a exposição da VERDADE lhe causasse a demissão, me empenharia para auxiliá-lo a obter uma nova colocação no mercado de trabalho.
5.) Dias depois, ‘Espaia Brasa’ ligou para meu tio, Juarez Silveira Pinto, afirmando que iria falar a VERDADE em seu depoimento e que estava com medo de ser demitido. Meu tio disse então que era para ele ficar tranquilo, falar a verdade e levar o gravador para registrar apenas o diálogo. Disse que eu não deixaria desamparado, fato que efetivamente não ocorreria se ele viesse a ser demitido em razão de falar a VERDADE.
6.) Depois disso, fui informado que ‘Espaia Brasa’ havia desaparecido. Fiquei sabendo também que o mesmo chegara a ir a prefeitura com o gravador, mas não havia feito qualquer referência a suposta coação que ele havia denunciado ao Presidente do Legislativo.
7.) Nesta segunda-feira, 24 de março, fui surpreendido com a divulgação de um vídeo, apontando a mim e ao Presidente da Câmara como responsáveis por uma ‘armação política’. Curiosamente, o vídeo gravado em DVD foi levado à Câmara Municipal e exibido pelo vereador Edilson Martins, ligado a prefeita. Supostamente, o vídeo foi produzido pelo próprio ‘Espaia Brasa’ e adicionado em um site de compartilhamento de imagens.
8.) Contratei uma perícia independente para verificar o vídeo que apresenta claros sinais de edição e montagem. Sem qualquer fonte de credibilidade, o vídeo faz acusações aleatória, desprovidas de qualquer realidade. Em determinados pontos do vídeo é possível perceber perfeitamente que ‘Espaia Brasa’ está lendo um texto que alguém escreveu. Com a perícia, será possível indicar de onde partiu a gravação. Há elementos para isso, conforme resultados iniciais.
9.) Estarei acionando criminalmente na justiça todos os envolvidos neste ‘teatro’ malsucedido, montado por um grupo que utilizou o servidor apenas como ‘boi de piranha’. Creio sim, que houve ‘armação política’, mas com objetivos claros de tentar prejudicar minha imagem e a do presidente da Câmara Municipal. Também estou comunicando o fato aos órgãos competentes para apuração.
10.) Causou-me indignação maior a fala da prefeita Regina Dubay durante entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (25), onde tenta atribuir a mim e ao presidente da Câmara, Pedro Lourenço Nespolo, a ‘armação política’. Estranho, que a prefeita utilize seu cargo na tentativa de conferir qualquer veracidade sobre o vídeo que não tem qualquer fonte de credibilidade. Mais esdrúxulo ainda é o fato da prefeita procurar o Ministério Público para entregar o vídeo que ela disse ter recebido de forma anônima.
11.) Pelas palavras da prefeita durante a entrevista, parece que ela encontrou a redenção dos problemas sérios que assolam a Prefeitura de Campo Mourão, principalmente em relação a Honestidade. Ela prefere utilizar-se de um factoide para ataques ao Presidente da Câmara e a mim. Não vou perder uma noite de sono ou chorar durante as noites. Minha consciência está limpa e sei que não houve qualquer ato imoral ou ilegal de nossa parte.
12.) Queremos apenas que a VERDADE transpareça. Ninguém solicita a alguém para gravar uma mentira. É ilógico pensar no oposto. Se houvesse qualquer má intenção da nossa parte, jamais seria cedido o gravador para o servidor que queria provar a suposta coação. Ou então estaríamos também em conluio com o secretário que supostamente, segundo ‘Espaia Brasa’, o estaria coagindo? Simplesmente lastimável e racionalmente incompreensível esta teoria.
13.) Para finalizar, lembro que a mesma rapidez da prefeita em se apresentar a imprensa e ao Ministério Público com o vídeo neste momento, não ocorreu durante a época em que o caso foi descoberto, tendo ela permanecido vários dias fora da cidade. Também lamento que a prefeita ou seus atuais secretários não esclareçam a VERDADE sobre os casos que estão sendo investigados pelo Ministério Público de Campo Mourão e pelo Gaeco e, que não aproveitasse a entrevista coletiva, para sanar inúmeras dúvidas sobre o cheque nominal à Prefeitura de Campo Mourão desviado dos cofres municipais e depositado na conta de um empresário. Neste caso também faltou agilidade para investigar a ilegalidade, para utilizar de uma palavra mais amena.
14.) Estarei no aguardo da conclusão das investigações. Creio que a palavra final e sempre imparcial, compete ao Ministério Público de Campo Mourão, ao Gaeco e à Justiça.
Rodrigo Salvadori
Vice-Prefeito de Campo Mourão