Vereadora Elvira vê situação de animais agravada com a pandemia

Reconhecida por sua luta com a causa animal, Elvira recebeu 1.777 votos
A vereadora Elvira Maria Schen Lima (Cidadania) foi novamente reeleita com a maior votação entre os 13 eleitos para a gestão 2021/24 na Câmara de Campo Mourão. Reconhecida por sua luta com a causa animal, ela recebeu 1.777 votos. Para ela, a situação dos animais de rua continua sendo um grande problema em Campo Mourão. “A situação se agravou com a pandemia. A quantidade de animais que eram soltos na rua já era grande e com a pandemia praticamente triplicou“, lamenta ela.
No terceiro mandato que se inicia em janeiro ela promete continuar cobrando mais ações em favor da causa animal. Elvira lamenta a falta de empenho de administrações anteriores. “Infelizmente não deram a atenção devida, não trataram a questão com a seriedade que merecia”. Para ela, o que precisa acontecer em todo Brasil é a castração e a educação sobre a posse responsável. “Isso precisa acontecer para resolver essa questão do abandono de animais.”
Defendendo a causa animal, você foi novamente a mais votada nas eleições municipais. O que você fez de concreto no primeiro mandato em defesa dessa causa?
Tentamos fazer várias coisas, quando a prefeita ainda era a Regina, mas infelizmente não tivemos sucesso nas conversas e nos diálogos. A causa animal depende do bom relacionamento e entendimento entre o poder público e as associações protetoras, o que infelizmente não ocorreu naquele momento. Apenas no penúltimo ano da gestão da Regina é que ela repassou uma verba para a castração e o trabalho foi iniciado, porém no último ano do mandato, o repasse não entrou. No ano seguinte, com o Tauillo na prefeitura, houve o pagamento das clinicas pelas castrações e nos três anos seguintes, foi firmado convênio com a Associação dos Protetores de Animais Independentes (PAIS). Esse convênio com a PAIS foi importante para a realização de uma castração bem feita, menos evasiva e com menos sofrimento, resultando em uma recuperação mais rápida dos animais. De qualquer forma é um trabalho a logo prazo, mas que precisa ser feito, são muitos animais abandonados nas ruas, terrenos baldios e matas, um grande descontrole. Se fosse para fazer o resgate hoje juntaríamos mais de 10 mil animais. Hoje o que precisa acontecer em todo Brasil é a castração e a educação sobre a posse responsável. Isso precisa acontecer para resolver essa questão do abandono de animais.
Ainda há muito por fazer em relação a causa dos animais? Quais suas propostas para esse novo mandato?
Entre as propostas agora será tentar um programa gratuito de atendimento nas clinicas, apesar que isso já acontece para famílias de baixa renda, mas precisamos de algo que envolva mais o município. Sabemos que algo do tipo um SUS animal ainda não é possível funcionar, abrangendo um atendimento em grande escala, mas precisamos pelo menos algo mais em conta para as famílias de baixa renda. Penso que isso pode ser feito utilizando o próprio Castramóvel do município, não apenas para a castração, mas para um atendimento mais abrangente, indo até os bairros e fazendo um atendimento médico mais simplificado, sem incluir a cirurgia, por exemplo. Hoje é impossível termos uma clínica pública, com cirurgia e tudo mais, uma vez que o próprio SUS humano já não atende como deveria. Mas vamos procurar convênio com uma clínica para tornar o atendimento mais barato, como fazemos hoje por meio da associação. O que precisamos é buscar soluções porque há a necessidade de triplicar o número de castrações, chegando a cerca de 1.500 a 2 mil por ano. Com isso poderíamos iniciar o controle num período de cinco a sete anos.
Que avaliação você faz da campanha?
Foi uma campanha bem diferente por causa da pandemia, quase sem o contato com as pessoas, mas como o nosso trabalho já acontece ao longo dos anos, no dia a dia, houve o reconhecimento dos eleitores. Mas por conta da pandemia foi uma campanha difícil e estamos aprendendo muito em meio a tudo isso. O contato com as pessoas foi feito pelas redes sociais, não apenas para apresentar as propostas, mas para mostrar o trabalho que está sendo feito. Também não tive muito tempo para a campanha, tenho trabalhado muito e isso foi reconhecido pelos meus eleitores.
O que achou da renovação na Câmara?
A reeleição de poucos vereadores é sinal de que a população está buscando pessoas com novas ideias. As pessoas estão ansiosas por soluções principalmente nesse período de pandemia.
Com a experiência adquirida na Câmara, que conselho daria aos novatos?
Apesar de toda boa vontade no início do mandato, que aprendam a ouvir os que estão com mais tempo de casa. Assim como eu no início do mandato, pensava que podia resolver tudo, mas não é bem assim. Que tenham diálogo com o prefeito, que é uma pessoa aberta, sem distinção com a questão partidária. É preciso somar e multiplicar ideias na Câmara, trabalhando juntos e deixando de lado as picuinhas e as diferenças políticas. É preciso trabalhar em prol de todos.
O que você aponta como principais problemas de Campo Mourão?
Como atuo na defesa dos animais, o principal problema que vejo foi o aumento do abandono de animais em Campo Mourão, principalmente durante a pandemia. O que já era um grande problema agora duplicou ou quase triplicou a quantidade de animais abandonados. São muitos nascimentos principalmente de felinos, algo que já era previsto há mais de dez anos em Campo Mourão. Em 2008, em uma reunião na época do prefeito Nelson Tureck ainda, foi falado que se não iniciasse as castrações a situação ia sair do controle. Infelizmente como não fomos ouvidos e o caso não foi tratado com a seriedade que merecia agora estamos colhendo os resultados. Mas de um modo geral, no primeiro mandato o Tauillo sanou alguns problemas mais graves e o desafio agora é melhorar a área da saúde, cultura e educação, mas tudo isso percebo que está nas prioridades do prefeito.