Requião pode responder por falta de decoro por tomar gravador de repórter

No Paraná, os rompantes de raiva do senador Roberto Requião (PMDB) são comuns e todo mundo já está acostumado que nem liga mais. No entanto, a cena protagonizada pelo peemedebista na tarde de ontem, no Senado, em Brasília, provocou surpresa e indignação nos jornalistas que cobrem o dia a dia no Congresso Nacional, e não estavam acostumados com esse tipo de postura.

O fato de ter arrancado o gravador do repórter Victor Boyadjian (e o gravador arrancado por Requião, em foto do jornal O Globo), da rádio Bandeirantes, ficado com o equipamento e devolvido com o cartão de memória “deletado”, pode resultar numa ação pode quebra de decoro parlamentar. Pelo menos é o que anunciaram o Comitê de Imprensa do Senado e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, que prometem ingressar hoje com uma representação na mesa diretora do Senado contra Requião. São eles que decidem se aceitam ou não a reclamação e se acataram o processo é encaminhado para o Conselho de Ética, órgão que delibera sobre punições.

Esta medida está sendo necessária porque, depois de ter o seu gravador “tomado” por Requião, o repórter procurou a polícia do Senado, onde não puderam registrar queixa porque o órgão não age contra senadores. Depois, tentaram buscar a Corregedoria que, também, não existe, porque um corregedor ainda não foi escolhido.

Restou, então, procurar o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que saiu em defesa de Requião. Ele disse que ainda não tinha conhecimento do caso e que parecia ser um “mal entendido”, dando a entender que a reclamação não tinha cabimento, porque “o senador Requião é um cavalheiro”. O presidente do Sindicado dos Jornalistas do Distrito Federal, Lincoln Macário, é que o senador, pelo menos, seja punido com uma advertência.

O presidente do comitê, Fábio Marçal, pelo jeito conhece melhor a personalidade do Requião, quando afirmou que o episódio foi apenas mais uma situação de “destempero” do peemedebista. O repórter da rádio Bandeirantes recebeu de volta o seu gravador, mas o cartão de memória só foi entregue pela filho do senador, Maurício Thadeu de Mello e Silva. Questionado pelos jornalistas, Maurício disse que “não era político” e que não podia se justificar pelo pai. “Estou aqui como filho”, disse. Maurício trabalha no gabinete do primo, o deputado federal João Arruda (PMDB-PR).
(Pedro Ribeiro)