Polícia Civil quebra esquema de corrupção na Prefeitura de Luiziana

Foto: Rafael Silvestrin/Tásabendo

A Polícia Civil do Paraná está nas ruas para cumprir 20 mandados judiciais com o objetivo de desmantelar um esquema de corrupção na cidade de Luiziania. Uma investigação conduzida pelo Núcleo de Combate a Crimes Econômicos (Nurce) levantou indícios de um ‘Mensalinho’.

Na manhã desta quarta-feira (18) foi deflagrada a operação “Talha” que tem como objetivo cumprir nove mandados de prisão temporária, dez de busca e apreensão e um de condução coercitiva – deferidos pela 2º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná. Mais de 40 policiais civis participam da ação policial. Um dos alvos de mandado judicial é a Prefeitura Municipal de Luiziana.

Entre os investigados está o procurador jurídico do município e ex-secretários municipais — todos suspeitos de envolvimento com o esquema criminoso. O Nurce suspeita que o dinheiro arrecadado ilegalmente foi para a campanha de reeleição do atual prefeito da cidade. Ele, porém, não é alvo de nenhuma medida judicial.

“O combate à corrupção é uma das principais diretrizes do trabalho das polícias do Paraná e do Governo do Estado. É necessária uma investigação profunda e isenta para chegar aos responsáveis pelo desvio de recursos públicos que acaba por prejudicar a população paranaense”, disse o secretário da Segurança Pública do Paraná Júlio Reis.

A investigação começou há um ano depois que o Nurce recebeu uma representação da Procuradoria Geral de Justiça do Ministério Público Estadual. As provas coletadas durante a investigação revelam que alguns servidores públicos eram obrigados a devolver parte de seu salário para um caixa 2, visando financiar a reeleição do atual prefeito.

O esquema era operado por Thiago Slongo, sobrinho do prefeito. De entregador de leite na cidade, ele se tornou Procurador Jurídico do Município.

Com base em relatos e confissões de alguns envolvidos, foi pedido o afastamento do sigilo bancário dos servidores suspeitos, sendo elaborado um relatório por parte do Laboratório de Lavagem de dinheiro da Policia Civil. A análise das contas bancárias mostrou indícios do esquema operado entre 2013/2016.

Participam da operação policiais do Nurce, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e da Subdivisão Policial de Campo Mourão. O nome da operação – Talha — se refere ao tributo ou parte da produção paga pelos vassalos ao senhor feudal.

Mais detalhes da operação serão repassadas em entrevista coletiva marcada para as 11h na sede da Subdivisão de Polícia Civil de Campo Mourão (Rua Mamborê, 850, Centro).

Caixa 2
A suspeita do Nurce é que o dinheiro arrecadado ilegalmente foi para a campanha de reeleição do prefeito Mauro Slongo (PDT), que é tio de Thiago. O chefe do executivo municipal não é alvo de nenhuma medida judicial, conforme a Polícia Civil.

“Todos os ouvidos até o momento falavam que acertavam diretamente com o Thiago”, justifica o delegado do Nurce, Renato Figueiroa.

De acordo com a Polícia Civil, as provas coletadas apontam que alguns servidores públicos eram obrigados a devolver parte de salário para um caixa 2, visando financiar a reeleição do atual prefeito.

Os funcionários que aderiam ao esquema, segundo a polícia, contavam com cargos de confiança ou gratificações. Dois ex-funcionários confessaram à polícia que repassaram os salários ao procurador jurídico.

O afastamento do sigilo bancário dos servidores suspeitos foi pedido, ainda segundo a Polícia Civil, tendo como base os relatos e confissões de envolvidos.

Com essas informações, o Laboratório de Lavagem de dinheiro da Policia Civil fez um relatório. A análise das contas bancárias, conforme a Polícia Civil, mostrou indícios do esquema operado entre os anos de 2013 e 2016.

As suspeitas, conforme a polícia, são de associação criminosa, corrupção passiva e corrupção ativa.

Operação Talha
A investigação, de acordo com a Polícia Civil, começou há um ano, após o Nurce receber uma representação da Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Paraná (MP-PR).

A operação recebeu o nome de “Talha” em referência ao tributo ou parte da produção paga pelos vassalos ao senhor feudal.

Cerca de 40 policiais civis cumprem os mandados judiciais desde às 6h. Além da prefeitura, a polícia também está cumprindo mandados de busca em residências dos suspeitos que estão com a prisão decretada. Os mandados foram autorizados pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná.

Os presos estão sendo encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Campo Mourão.

Eleições
Mauro Slongo (PDT) foi reeleito em 2016 com 51,26% dos votos, ou seja, 2.514 eleitores.

G1