Pedrinho Nespolo se diz preparado para a votação do pedido de sua cassação

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Pedrinho Nespolo, presidente da Câmara – Foto: Fernando Lorenzzo/Tásabendo.com

Questionado quanto à sua expectativa sobre a votação que decidirá seu destino político – na sessão da Câmara Municipal desta noite (21) – Pedrinho Nespolo (SD) diz que não está “nem confiante, nem desconfiante”. Apenas garante que não pedirá votos em seu favor. Prefere contar com o “bom senso” de seus pares. Nespolo acredita que na pior das hipóteses poderia ser obrigado a devolver o valor correspondente aos honorários do jurídico da Câmara. Serviço do qual Nespolo teria se beneficiado pessoalmente, segundo denúncia do servidor municipal Osmar Lima Barbosa (o Espaia Brasa).

Ironicamente, a acusação que pode custar o cargo de Pedrinho Nespolo é consequência de seu próprio empenho em contribuir para que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) oferecesse denúncia contra o grupo da prefeita Regina Dubay, pessoa de quem Nespolo só espera dedicação à sua cassação. “Se essa cassação acontecer, eu vou entender que houve maldade, que eu classifico como um golpe político. Vou entender que a prefeita ordenou aos vereadores de sua bancada a minha cassação. Vou entender que o PPS foi orientado por seus deputados”, dispara.

Nespolo admite que recorrerá à Justiça em caso de cassação, mas disse que só o fará depois de assistir à votação, que é nominal e aberta. “Quero ver a votação… se vai ser maldosa e irresponsável…”, desabafa. Ele avisa que recorrerá a quantas instâncias for preciso e para o caso de perder em todas, antecipa: “Não nasci na política e não tenho problemas em ficar fora dela!”.

Entenda o caso

No início deste ano, uma denúncia do vereador Pedrinho Nespolo ao Gaeco – de que alguns funcionários recolhiam uma contribuição mensal de servidores comissionados – resultou na prisão de um contratado do segundo escalão do governo municipal e na denúncia contra outros 11 cargos de confiança.

Em fevereiro, a prefeita Regina Dubay reuniu a imprensa e foi a primeira a falar em “armação política” contra sua administração. No mês seguinte, um vídeo com o mesmo título, foi postado no You Tube e teve milhares de acessos. No vídeo, o servidor (também comissionado) Osmar Lima Barbosa, conhecido como Espaia Brasa, aponta Pedrinho Nespolo e o vice-prefeito Rodrigo Salvadori como os mentores do que ele argumentava ser uma armação contra o grupo político de Regina Dubay.

Descartados vários capítulos (alguns até censurados) da história, o fato é que – orientado pelo setor jurídico da Câmara Municipal – Pedrinho Nespolo, teria usado desse mesmo setor para proceder medidas judiciais contra o site de busca Google Brasil Internet e contra meios de comunicação de Campo Mourão. Nespolo também queria o vídeo fora do ar.

Numa das semanas seguintes, o servidor Osmar Lima Barbosa protocolou na Câmara, um pedido de cassação contra o presidente do Legislativo, alegando que ele usou a estrutura da Câmara para apresentar ações na Justiça de interesse pessoal.

Barbosa também levou a denúncia ao Ministério Público, que ajuizou Ação Civil Pública (ACP), com pedido de liminar, contra o presidente da Câmara Municipal e contra uma procuradora parlamentar, por ato de improbidade administrativa.

A Comissão de Legislação e Redação da Câmara Municipal acatou denúncia do servidor Osmar Espáia Brasa e propôs a cassação do presidente da Câmara Municipal de Campo Mourão, Pedrinho Nespolo. O pedido será votado hoje (21), a partir das 19h, em plenário que se espera lotado após convite no Facebook feito por Nespolo e compartilhado por seus eleitores.

Por Carlos Eduardo Kadu/Tásabendo.com