Nespolo afirma que Nelita também deveria ser cassada

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Pedrinho Nespolo, ex-vereador – Foto: Fernando Lorenzzo/Tásabendo.com

Em entrevista exclusiva ao Tasabendo.com, o ex-vereador Pedrinho Nespolo, afirma que se o processo que o cassou fosse justo, a vereadora Nelita Piacentini (PSD) também deveria ser cassada, visto que assinou com ele (na condição de vice-presidente da Casa) a autorização para uso de serviços advocatícios da Câmara numa ação particular. Nespolo se diz vítima de um golpe político articulado pelos grupos da prefeita Regina Dubay e do PPS. Ele conta que está entrando na Justiça para anular a decisão da Câmara Municipal e avisa que se perder em todas as instâncias pode deixar a vida pública.

Nespolo fez várias queixas. Disse que durante o processo que o cassou não teve acesso aos documentos que o incriminaram. Ele não confirma se moverá ações contra vereadores por acusações feitas na sessão em que foi cassado (terça-feira, 21), mas disse que ouviu ‘muita bobagem’. “Uma das bobagens eu ouvi da professora Vilma, dizendo que tinha assinatura digital da Nelita que eu usei, dando a entender que houve alguma falsidade ideológica. Isso é um absurdo”, condena.

O ex-presidente da Câmara afirma que havia tanta disposição dos colegas em cassá-lo, que o teriam feito sem apreciar as evidências. “Repito que os vereadores me cassaram sem ter acesso completo ao processo, somente com a denúncia, com o relatório final, várias partes do processo não foram analisadas durante aquela sessão. E lamento muito também porque, na minha opinião, em todo processo ficou comprovada a boa fé. Ou seja, não houve má fé”, defende-se.

O político mourãoense argumenta que recebeu uma orientação jurídica que – apesar das consequências – acredita que esteja correta. “… se ela (a orientação) estivesse errada, na pior das hipóteses era uma despesa indevida. Jamais poderia ter culminado numa cassação do mandato de vereador”, lamenta e complementa: “Ainda confio, lendo o Regimento Interno e tudo que me foi passado, mesmo sendo leigo, e o histórico que a assessoria jurídica tem, de todos os membros, na seriedade e de bons trabalhos prestados…”.

Num primeiro momento, Pedro Nespolo garantiu que caso não consiga reverter a cassação na Justiça, sairá da política. “É porque daí o sistema não presta e não era para eu estar ali dentro mesmo. Aí vou largar mão disso, vou mexer com outra coisa”, justifica. Contudo, no transcorrer da conversa admitiu que ainda pode atuar nos bastidores da política, deixando de lado apenas a vida pública.

Para ele tudo não passou de um golpe político motivado por interesses em comum do PPS e do grupo encabeçado por Regina Dubay. “Estamos montando um grupo novo na cidade… Existe um interesse em comum do grupo da prefeita e do grupo do PPS em não deixar esse grupo novo prosperar”, conclui. Questionado se os três vereadores que votaram contra sua cassação o fizeram por serem integrantes desse novo grupo, uma pausa e a resposta: “Eu espero contar com eles”.

Buscando certificar o suposto conluio, Nespolo acrescenta que os vereadores e o MP preservaram a vereadora Nelita Piacentini. “… se a professora Nelita assinou a despesa junto comigo, ela não pode alegar que não tinha conhecimento. Ela não podia deixar de ser responsabilizada. Se fosse um crime grave, que motivasse uma cassação, ela deveria ter sido cassada junto, desde a ação dos promotores… pergunta para os promotores: por que a Nelita não está no pólo passivo da ação se ela assinou junto a despesa? E pergunta para os vereadores: por que só eu fui cassado?”, indaga.

Nespolo explicou que quando começa a legislatura o contador da Câmara pega a assinatura digital do presidente e do vice-presidente, mas afirma que nunca pediu a assinatura digital da vereadora Nelita. “No caso da Nelita, ela nem pode dizer isso porque ela também teve uma assinatura de punho. Não sei se foi um cheque, se foi uma autorização… tem a assinatura dela lá autorizando a despesa. Isso pode ser consultado na Contabilidade da Câmara”, recomenda.

Nova denúncia

Respondendo à acusação feita pelo vereador Sidnei Jardim (PPS) – de que Nespolo teria ido à Curitiba denunciar um promotor, usando diária da Câmara – o ex-vereador afirmou: “Naquele dia eu fui fazer uma consulta. Assim como vários vereadores marcam uma audiência com secretários, com deputados, enfim… tem vários casos que acontece isso. Então não tem cabimento… ele deve estar mal orientado de novo, o Sidnei Jardim. Talvez falte experiência para ele, mais uns dois mandatos ele aprende!”, dispara.

Nelita responde

A vereadora Nelita Piacentini (PSD) disse que está tranquila, pois prestou depoimento no Ministério Público e não foi indiciada. “Só que ele (Pedrinho Nespolo) não falou que antes disso ele usou a minha assinatura digital e minha senha no banco para pagar despesas referentes a Cartório”, comenta. Segundo Nelita, foi a partir desse episódio que o caso “veio à tona”. “Ele guardava isso em segredo”, enfatiza.

Jardim responde

Segundo o vereador Sidnei Jardim, Pedrinho Nespolo confirmou para vários vereadores de que a viagem para Curitiba, quando da denúncia contra o promotor Marcos Porto, foi paga com diária da Câmara. Jardim conta que Nespolo foi levar o caso “mensalinho” ao Gaeco (em Maringá) e que questionado pelo promotor Marcos Porto sobre o motivo de não fazer uma denúncia no MP de Campo Mourão, Nespolo, “além de gravar de forma sorrateira toda a conversa com o promotor”, teria dito que Porto poderia prevaricar (Não cumprir com as sua obrigações). Assim, o promotor teria expulsado o ex-vereador de seu gabinete e isso teria motivado Nespolo a representar contra o promotor. “A representação do Pedrinho contra o promotor foi arquivada pela Corregedoria, mas é preciso ficar claro que ele usou sim de diária da Câmara nessa viagem e vai ter que responder por mais esse crime de improbidade”, informa.