MST fala em parar o Brasil se o impeachment avançar no Senado

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O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) promete tomar as ruas do país caso o impeachment da presidente Dilma Rousseff se confirme na votação final do Senado que deve acontecer na primeira quinzena de agosto. O movimento já fala em “parar o país” se o governo interino do presidente Michel Temer se tornar definitivo.

João Paulo Chaves, que integra a coordenação nacional do MST, diz que só as ruas darão conta de paralisar o processo por ter, segundo ele, apoio da grande mídia, do Poder Judiciário e do empresariado. “Por isso nós temos que derrubar ele [Temer], caso contrário será uma batalha de médio e longo prazo. Vamos ter que parar o país no intuito de avançar na resistência de não tirar os direitos dos trabalhadores”, afirmou.

A afirmação do coordenador aconteceu pouco depois de um ato político no acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu. O evento foi para celebrar um ano da invasão da área que pertence à empresa Araupel, mas cujos títulos são questionados judicialmente. O evento reuniu aproximadamente oito mil pessoas e, durante os discursos, houve críticas ao governo interino. Aproximadamente 3.000 mil sem-terra estão acampadas no Dom Tomás Balduíno.

Para Chaves, nesses dois meses de governo interino ficou claro que o objetivo é privatizar o estado brasileiro, promover cortes drásticos nas políticas públicas de proteção social e se transformar em um quintal dos Estados Unidos. “É um governo que não tem compromisso com as urnas e não pretende se reeleger, então eles vão usar a máxima do Maquiavel e fazer todas as maldades de uma vez só. Nos preocupa e, por isso, temos que ganhar deles no Senado e nas ruas”, declara Chaves.

O acampamento Dom Tomás Balduíno, onde aconteceu o ato político, fica na mesma área onde no dia 7 de abril dois sem-terra foram mortos em um confronto com a Polícia Militar. Durante o ato de domingo, eles lembraram as mortes dos companheiros e reafirmaram que lutarão pela conquista de toda a área a empresa que trabalha com reflorestamento e beneficiamento de madeira. A Araupel emprega aproximadamente 1.000 trabalhadores na cidade.

Cerca de 8 mil pessoas participaram da festa que celebrou um ano de invasão. Além do ato político, houve um almoço à base de churrasco, feira da reforma agrária, e um baile. Parte da alimentação servida foi doada por comerciantes da cidade. Foram assadas quatro toneladas de carne.