Família Tezelli responde Nota da Prefeitura e classifica como mentirosa

A família Tezelli encaminhou uma nota ao Tásabendo.com, em resposta ao texto divulgado pela prefeitura de Campo Mourão que negava perseguição política.

Na nota, a família Tezelli classificou parte do texto assinado pelo coordenador geral do município como “risível, bisonha e mentirosa”.

O “bate-volta” começou quando o Ministério Público ajuizou ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra a prefeita e o coordenador geral de governo do município. O motivo da ação seria o uso da máquina pública para realizar perseguição política a adversários da atual administração municipal.

Confira a nota da família Tezelli:

Nota de Esclarecimento da Família Tezelli em resposta a Nota Oficial da Prefeitura 

Em nota publicada no site da prefeitura de Campo Mourão na data de 19 de Outubro de 2015, a Prefeitura Municipal de Campo Mourão, na pessoa de seu coordenador geral, Carlos Garcia, mais uma vez mente, distorce os fatos e omite o que convém para se eximir de seus atos duvidosos de abuso de poder, que são alvo de Ação de Improbidade Administrativa proposta pelo Ministério Público do Paraná (mais uma, entre tantas) por perseguição política contra familiares do ex-prefeito Tauillo Tezelli.

Causa estranheza, para utilizar uma expressão do gosto do coordenador geral, que a prefeitura alegue, de maneira RISÍVEL, BISONHA E MENTIROSA, que os três imóveis não pertencem à mesma empresa. Basta olhar as matrículas atualizadas dos 03 imóveis, que são públicas e serão oportunamente apresentadas ao poder Judiciário, além de estarem disponíveis para consulta pública nos Cartórios de Registro de Imóveis de Campo Mourão, para verificar quem são os LEGÍTIMOS PROPRIETÁRIOS dos imóveis, não cabendo aqui qualquer contestação – mesmo que um dos imóveis tenha um sócio. 

Causa estranheza, ainda, que a prefeitura esteja querendo pagar por um terreno para que neles sejam construídas casas, visto que as casas JÁ SERIAM CONSTRUÍDAS SEM QUALQUER CUSTO PARA O MUNICÌPIO. Isso porque já existia um acordo firmado com a tal “empresa de Curitiba”, citada na nota, para que a mesma construísse casas do Programa Minha Casa, Minha Vida, em um dos terrenos, sem que o município precisasse comprar o terreno. Gostaríamos de saber os motivos que fazem a prefeitura desejar PAGAR POR ALGO QUE ELA PODE TER SEM CUSTOS. Lembrando que este acordo é público e foi devidamente informado ao Ministério Público na representação realizada, não sendo algo que se deseja esconder.

Causa estranheza, também, que o coordenador geral se coloque à disposição para esclarecimentos, quando durante o processo TUDO QUE A PREFEITURA FEZ FOI NEGAR INFORMAÇÕES. Conforme documentos juntados à representação, o diário oficial da data (somente ele) estava estranhamente fora do ar (fato comprovado em cartório), os pedidos de informações protocolados na prefeitura não foram respondidos (ficaram parados justamente na coordenação geral, contrariando a Lei de Acesso à Informação) e foi preciso acionar o Ministério Público para que a prefeitura se pronunciasse oficialmente.

Causa estranheza que o transparente coordenador geral CONVENIENTEMENTE SE CALE SOBRE OS DEMAIS ITENS DA AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, principalmente sobre os testemunhos de 03 pessoas que confirmaram terem ouvido do próprio coordenador geral, do marido da prefeita e do procurador do município que se tratava, sim, de perseguição política. 

Causa estranheza a alegação do procurador de que um dos terrenos foi escolhido por ser próximo dos campi da UTFPR, UNICAMPO e UNESPAR, quando se sabe que A PREFEITURA DISPÕE DE UMA GRANDE ÁREA NO LOTEAMENTO “NOVO CENTRO”, que é ainda mais próximo das universidades mourãoenses, não sendo necessária a compra da área. É mais um argumento falacioso que cai por terra.

Causa estranheza ainda maior o fato de a prefeitura querer desapropriar os terrenos em momento de crise financeira, EM QUE A PREFEITURA NÃO TEM HONRADO SEUS COMPROMISSOS – por exemplo, estão atrasados os pagamentos para a empresa que faz a coleta de lixo na cidade e os funcionários com cargos comissionados receberam seus salários do ultimo mês com um atraso inédito. Além disso, a própria prefeita publicou recentemente decreto em que oficializa a contenção de despesas. Se não há dinheiro, porque comprar imóveis para construir casas que seriam construídas sem ônus? Se não há dinheiro, porque não utilizar para os projetos os inúmeros terrenos de que a prefeitura dispõe? Lembrando que não se trata somente de ter ou não dinheiro, e sim de buscar sempre fazer o MELHOR USO DO DINHEIRO DA POPULAÇÃO.

Causa estranheza a prefeitura alegar que vem realizando desapropriações constantemente, quando sabemos que A CIDADE CORRE O RISCO DE PERDER 03 NOVOS CURSOS DE ENGENHARIA NA UTFPR PELA MOROSIDADE da prefeitura em doar o terreno necessário à instituição. Se houvesse preocupação da administração com o desenvolvimento tecnológico, tais terrenos já teriam sido doados faz tempo, pois estes sim são prioritários. Se em outras administrações a prefeitura ajudava a bancar o CEFET/UTFPR quando preciso, hoje não existe o menor incentivo ao desenvolvimento da instituição.

Causa estranheza e surpreende UTILIZAR COMO JUSTIFICATIVA A ALEGAÇÃO DE QUE DETERMINADO IMÓVEL “ESTAVA A VENDA”, – por ser esta uma decisão que diz respeito tão somente aos proprietários. É patético utilizar o fato de um imóvel “estar ou não a venda” para justificar e tentar atenuar atos obscuros e injustificáveis. Assim como é patético se utilizar de uma apresentação na ACICAM, que aconteceu somente DEPOIS das desapropriações, para dar um verniz de legalidade em seus atos. Ou então disponibilizar à imprensa os projetos, depois de 06 meses de escuridão.

Causa estranheza que a prefeitura, CASO TENHA O REAL INTERESSE DE ADQUIRIR OS IMÓVEIS, não tenha tentado nenhum contato para negociar a aquisição dos terrenos, QUE É A MANEIRA HABITUAL E PODE SER MAIS BARATA E MAIS RÁPIDA. Isto é, se o interesse da prefeitura for mesmo o de adquirir os imóveis, e não somente o de atrapalhar os negócios de familiares do ex-prefeito.

Causa estranheza, também, que os atuais administradores da prefeitura não saibam que é questão pacificada no Superior Tribunal de Justiça que as desapropriações DEVEM OCORRER A VALORES DE MERCADO, e não por valores menores. Em outras palavras, caso as desapropriações ocorram (duvidamos muito que isso aconteça), A CONTA CHEGARÁ, MAIS CEDO OU MAIS TARDE, COM VALORES CORRIGIDOS, E SERÁ PAGA COM O DINHEIRO DOS MOURÃOENSES.

Causa estranheza que os representados não tenham atentado para o fato de que PODERÃO PAGAR, COM DINHEIRO DO PRÓPRIO BOLSO, POR SUAS MEDIDAS ATRAPALHADAS – visto que, além da representação ao Ministério Público, outras medidas judiciais serão propostas pelos proprietários nas esferas cível e criminal, em justa defesa de seus direitos contra a arbitrariedade dos atos da municipalidade. Aliás, a partir deste momento os proprietários não mais se manifestarão na imprensa, e sim somente perante o Ministério Público e o Poder Judiciário, já que se provou impossível qualquer conversa produtiva com a atual administração municipal.

Causa estranheza que o coordenador geral, em sua nota DESDENHE DA INTELIGÊNCIA E DOS PROCEDIMENTOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ, ao julgar que tal instituição entraria com uma Ação de Improbidade sem estar firmemente apoiada em fatos e no direito. 

Causa estranheza, mais uma vez, o fato de que, A CADA MOMENTO DE CRISE, A PREFEITA REGINA DUBAY SIMPLESMENTE DESAPAREÇA, deixando todas as justificativas para o “explicador e enrolador geral” Carlos Garcia – como podemos constatar nos casos do Mensalinho, dos Postes Republicanos, da referida ação de perseguição política, entre outros – para não falar dos depoimentos para as autoridades seguidamente adiados, em diversas ocasiões.

O que, definitivamente, NÃO CAUSA ESTRANHEZA, é que a administração municipal tenha chegado a tal ponto, desperdiçando tempo e recursos e se utilizando da estrutura da prefeitura para empreender ações arbitrárias de caráter duvidoso, que não atendem aos interesses da população. Enquanto isso, a cidade padece.

Para finalizar, vamos dar o benefício da dúvida para a prefeita Regina Dubay e o Coordenador Geral Carlos Garcia: se os projetos são realmente fundamentais para a cidade, se não existem melhores alternativas, se o desenvolvimento de Campo Mourão depende de tais medidas, mesmo à custa de um desperdício de grandes somas de recursos públicos, então QUE A PREFEITA REALIZE IMEDIATAMENTE AS DESAPROPRIAÇÕES, pagando os valores justos pelas áreas e iniciando imediatamente a execução dos projetos. Afinal, se a duplicação da saída para Maringá nunca saiu do papel, mesmo com a prefeita Regina Dubay afirmando na campanha eleitoral de 2008 que o dinheiro “estava depositado na conta”, como acreditar em projetos que não dispõem de recursos financeiros e dotação orçamentária? Porém, estamos aguardando. Afinal, Campo Mourão tem pressa, o desenvolvimento não pode esperar.