Estamos de boca aberta com a atitude do vice-prefeito; ou será de boca fechada?
Outra vez a “boca” da imprensa de Campo Mourão foi calada. E o instrumento usado, como de costume, foi um calhamaço de papel em forma de “Ação Inibitória com pedido de liminar”.
A papelada foi produzida pelos advogados do vice-prefeito de Campo Mourão, Rodrigo Salvadori e acatada pela juíza Gabriela Luciano Borri Aranda, no último dia 23, mas só tive acesso hoje, intimado pelo Oficial de Justiça.
O teor da ação proíbe os veículos de comunicação da cidade de divulgar uma possível segunda edição do vídeo “ARMAÇÃO POLÍTICA DE CAMPO MOURÃO” (aquele vídeo do ‘espáia brasa’), sob pena do pagamento de multa diária de R$ 50 mil.
Em seu despacho, a juíza admite que “a proibição de qualquer publicação jornalística viola o princípio da liberdade de imprensa”, mas argumenta que é “perfeitamente possível a coerção aos abusos”.
Abusos? Que abusos, se o vídeo ainda nem saiu? A alegação é que o primeiro vídeo é apócrifo. Espera aí, o vídeo foi publicado pelo próprio autor que aparece nas imagens denunciando. Não é apócrifo. Tem autoria. Por isso publicamos. É um lado da história e ganhou espaço neste canal, da mesma forma como a denúncia do caso Gaeco.
Mais uma vez digo, como falei há aproximadamente um ano, quando a prefeita Regina Dubay amordaçou este veículo (proibindo o envolvimento de seu nome a certo tipo de denúncia – que não posso falar), aqui nesse portal de notícias, primamos pela imparcialidade. Vamos lutar sim, para que a liberdade de expressão, sem abuso, seja respeitada.
Fato é que a mídia sempre exerceu grande poder sobre a opinião pública. Há quem diga que é ela que decide quem será o próximo presidente do País. Outros acreditam que ela influencia no que as pessoas vão vestir neste verão. Querendo ou não, o quarto poder tem em suas mãos a difícil tarefa de regular padrões à nação. Difícil porque, de acordo como ela aborda certos fatos, pode conduzir o País ao sucesso ou à ruína. E o pior: como todo o “bom” poder, tem sempre alguém tentando manipulá-lo.
É bem verdade que o mundo da comunicação está lotado de coisas bizarras. Alguns donos de jornais ou redes de televisão e rádio se aproveitam e fazem mau uso do poder que têm. Algumas mídias – se não a maioria – existem basicamente para atender aos interesses daqueles que as sustentam. São eles: os grandes anunciantes, banqueiros, as grandes empresas, latifundiários e políticos.
No passado, os jornalistas brasileiros quase ficaram doidos com a ameaça de implantação de um conselho para fiscalizar a imprensa. Vários discursos pairavam sobre as páginas, telas e ondas de comunicação. Uns a favor, outros contra. O lema do “conselho” era orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão jornalística. Era um conceito distorcido, pois colocava o profissional como uma marionete, sem vida própria.
Será isso que está acontecendo em Campo Mourão? Será que querem que nós, nos tornemos marionetes em suas mãos? Se for do meu interesse e que eu cresça na opinião pública, tudo bem. Caso contrário, se tiver alguma denúncia, antes mesmo que vá ao ar, CENSURA NELES.
Uma coisa é certa e já aprendi há algum tempo: esse antro está sempre cheio de gente querendo exercer seu poder sobre a mídia.