CPI do Cemitério: “Coveiros poderiam fazer carneiras”, diz servidor
A afirmação foi feita nesta quinta-feira (16/5) pelo servidor público Carlos Aparecido de Paula a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores que apura denúncias de possíveis irregularidades no Cemitério Municipal “São Judas Tadeu”, de Campo Mourão. Embora existam quatro coveiros concursados no cemitério – um deles licenciado -, nenhum executa serviço de escavação de cova. O serviço é comercializado junto com a construção de carneira por autônomos que atuam no cemitério.
Carlos Aparecido de Paula informou que os coveiros deixaram de executar a abertura de covas desde a proibição da realização de sepultamentos diretamente na terra. Agora eles realizam serviços de remoção de restos mortais, conduzem cortejos até a sepultura e serviços de limpeza (função que caberia a um zelador ou auxiliar de serviços gerais). Indagado pela vereadora Elvira Schen (MD), o coveiro reconheceu que os serviços de abertura de covas e construção de carneiras poderiam ser executados pelos servidores municipais lotados na função de coveiros já existentes no cemitério. A vereadora ressaltou que assim a população poderia ser beneficiada com preços mais baixos.
O depoente confirmou que constrói carneiras no cemitério, mas exclusivamente fora do seu horário de trabalho estabelecido pela Prefeitura. Explicou que executa o serviço para pedreiros autônomos que atuam no local. Afirmou ainda que na construção de carneira não são utilizados materiais da Prefeitura.
O segundo servidor municipal convocado para a audiência, Lindolfo do Rosário Falcão, não compareceu porque está de férias e viajou.
Relatório
A fase de depoimentos da CPI foi encerrada e agora é esperado o relatório final, a cargo do relator Antonio Machado. Entre as irregularidades constatadas no cemitério municipal de Campo Mourão destaca-se a falta de regulamentação, além da atuação da prestação de serviços por autônomos sem licitação. Também foi comprovado que servidores administrativox recebiam de famílias de falecidos por serviço de construção de carneiras – inclusive assinavam recibo -, sob a alegação de que o dinheiro era integralmente repassado aos pedreiros autônomos.