Além de pronunciamento, entrevistas reservadas, Salvadori ainda divulga nota
O vice-prefeito de Campo Mourão, Rodrigo Salvadori, divulgou uma ‘nota oficial’ sobre sua demissão do cargo de secretário do Desenvolvimento Social do município.
Rodrigo também citou uma nota, distribuída pela prefeita neste domingo no site da prefeitura: Clique e leia
Salvadori já havia convocado toda a imprensa na sexta-feira (07) para uma coletiva, o que não aconteceu. Em uma sala da Câmara Municipal, ele fez um pronunciamento e ‘bateu em retirada’, nem permitiu uma pergunta de nenhum órgão de imprensa, pelo menos ali.
Pouco tempo depois, concedeu entrevista reservada na chácara do presidente de Câmara Municipal de Campo Mourão, Pedrinho Nespolo.
Nesta segunda-feira (10), Salvadori enviou para toda a imprensa uma nota, segundo ele, para esclarecer ‘interpretações controversas publicadas pela imprensa sobre suas declarações.’
Confira a nota na íntegra.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Em relação a interpretações controversas publicadas pela imprensa sobre minhas declarações, em 07/02/2014 em entrevista coletiva, sobre a ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO -, e ainda em relação a nota emitida à imprensa pela Sra. Prefeita Municipal na noite de domingo (09/02/2014) venho a público fazer os seguintes esclarecimentos:
1 – Através de escolha democrática da população mourãoense em sufrágio de votos nas urnas, fui eleito Vice-prefeito de Campo Mourão em outubro de 2012, na coligação que envolvia o PRB, PDT, PT, PMDB, PSL, PTN, PR, PMN, PTC, PSD e PC do B com o compromisso assumido de elevar a qualidade de vida dos munícipes e desempenhar um papel probo na administração, pautado principalmente pela Moralidade e Legalidade que o cargo requisita.
2 – Empossado no cargo de Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão, nomeado pela Sra. Prefeita Municipal, Regina Dubay, no início de 2013, reitero que fui procurado pelo Sr. Raimundo Machado, Chefe de Gabinete da Prefeita, que me informou que 5% do salário que receberia pela função da atividade, deveria ser entregue à ele após o depósito bancário do pagamento. O Chefe de Gabinete não informou qual seria o destino do valor desta ‘contribuição’ compulsória.
3 – Imediatamente procurei a Sra. Prefeita Municipal para falar sobre o fato. A Prefeita me informou que deveria haver algum mal-entendido no assunto e que isso não ocorreria em seu governo. Regina Dubay me disse que falaria pessoalmente com Sr. Raimundo Machado sobre o assunto. Não tenho e nunca tive razões para faltar com a Verdade. Minha Formação e Caráter não permitem esta falha moral.
4 – Nos dias posteriores, fui informado pelo Chefe de Gabinete que não havia qualquer cobrança sobre meu salário e que havia ocorrido um equívoco de minha parte.
5 – Enquanto permaneci à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico nunca mais ouvir falar sobre a ‘cobrança’ e nem devolvi qualquer parte do salário, recebido pelo trabalho desempenhado no cargo. Acreditei na palavra da Sra. Prefeita que houvera um equívoco. Mesmo assim, instruí funcionários que ocupavam cargos em comissão em minha Secretaria que se recusassem a pagar qualquer devolução, caso fossem procurados. Em nenhum momento, até a ação do Gaeco na cidade, pude sequer acreditar que houvesse um suposto esquema para cobrança de devolução de parte dos salários comissionados, ato que se comprovado,repudio veemente.
6 – Durante o período quem permaneci à frente da pasta para onde fui indicado, houve um distanciamento no relacionamento por parte da Sra. Prefeita, apesar de desempenhar rigorosamente minha função com base nos princípios da Moralidade e Legalidade aliados ao trabalho em benefício de desenvolvimento da cidade e em melhoria da qualidade de vida da população. Por várias vezes, não consegui marcar audiências e minhas ligações não eram atendidas. Mesmo ocupando o cargo de Secretário Municipal, em nenhum momento tive qualquer autonomia para indicação técnica para cargos comissionados, tarefa que sempre foi assumida pela Sra. Prefeita.
No início de 2014, uma pessoa desconhecida por mim chegou a ser nomeada para atuar na pasta que eu dirigia, sem qualquer consulta dirigida a mim. A nomeação foi revogada dias depois, sem que eu saiba até o momento os motivos das decisões. Situações claras de boicote e desrespeito em lação à mim e ao trabalho que desempenhei à frente da Secretaria Municipal.
7 – Diante deste fatos, agravados com a operação do Gaeco – cujo delegado declarou publicamente sobre a presença ‘de uma quadrilha no alto escalão’ da prefeitura que possivelmente estaria em várias secretarias municipais e não isoladamente no órgão onde ocorreu o flagrante – é que resolvi pedir a exoneração de minha função de Secretário de Desenvolvimento Econômico.
8 – Não posso compactuar com qualquer situação de Ilegalidade que afronte a Moralidade ou que seja contrária ao meu compromisso assumido na campanha de atuar de forma Proba, Transparente e totalmente dedicada aos interesses da população mourãoense. Minha história e de minha família está diretamente ligada a Campo Mourão, cidade a qual sempre agradecemos. Procuro sempre me manifestar de forma clara e verdadeira, sem qualquer subterfúgio. Não aceito participar ou ter meu nome mencionado a qualquer ação ilícita ou a grupos que se disponham ou que sejam acusados de adotar estas atitudes, conforme a afirmação do delegado do Gaeco.
9 – Em respeito aos eleitores que depositaram seus votos nas urnas motivados pela minha participação na coligação vencedora, continuarei exercendo o cargo que me foi confiado: o de Vice-Prefeito de Campo Mourão. Farei isso sempre pautado pela Decência e Honestidade, elementos que identificam a história de minha família.
10 – Finalizando, quero enaltecer a operação isenta desenvolvida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO – do Ministério Público. Ações como esta, sem qualquer conotação política ou interesses escusos, afastam o sentimento geral de impunidade que reina na sociedade.
Que sejam esclarecidos os fatos e se houver comprovação de crimes, que haja rigorosa punição a todos os envolvidos.
Campo Mourão 10 de fevereiro de 2014