30 anos de um acontecimento histórico na política de Campo Mourão

Há 30 anos, Campo Mourão assistia o fim de um ciclo político e o começo de outro. Augustinho Vecchi, eleito prefeito pela terceira vez em 1988, transmitia o cargo para Rubens Bueno, eleito com a maior votação da história política de Campo Mourão. Rubens deixava um mandato de deputado federal para ser prefeito. Estava no auge de sua carreira política, com um excelente trânsito político no governo do presidente Itamar Franco, que também se iniciava depois do impeachment de Fernando Collor.
Rubens Bueno e Augustinho Vecchi, dois ícones da política mourãoense, foram adversários históricos. Vecchi foi prefeito por três vezes, duas escolhido pelo povo. Suas administrações dotaram a cidade de infraestrutura em todos os setores. Rubens Bueno, ao tomar posse em 1º de janeiro de 1993, também estruturou a cidade durante seu mandato de quatro anos.
Suas obras, como as de Vecchi, ainda continuam presentes no cotidiano mourãoense. Bueno, habilidoso político, trouxe vários ministros e até mesmo o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, para inaugurar o Teatro Municipal, obra iniciado por Vecchi e concluída por Bueno. Campo Mourão despontou no mapa do Paraná e do Brasil. Com acertos e erros, os dois deixaram seu legado.
O dia da posse de Rubens Bueno foi uma data histórica. Era um dia ensolarado e “quente”, dezenas de pessoas compareceram à solenidade. Entre elas, o historiador Jair Elias, na época um adolescente de apenas 18 anos. “Lembro-me do Augustinho Vecchi recebendo o Rubens Bueno na porta do gabinete. A campanha havia sido tensa, e evidente que o clima poderia ser marcado pela ausência de cordialidade. Ou até mesmo, pelo não comparecimento do próprio Vecchi. O que aconteceu foi o oposto. Vecchi cumprimentou Bueno, assinou o termo de posse, seguido por Rubens e desceu as escadarias”, descreve Elias, afirmando que assim foi, há 30 anos: cordialidade e respeito num ato democrático.
Hoje, o presidente da República deixou o país, num voo para os Estados Unidos, deixando a nação. Claro que jamais se esperaria do quase ex-presidente da República um ato de dignidade com o cargo, como fez o Augustinho Vecchi ao transmitir o cargo para o seu rival. Aliás, Rubens e boa parte dos políticos que estiveram nos palanques das “Diretas Já” em 1984, não voltaram a ter mandato eletivo nas últimas eleições. Álvaro Dias, Orlando Pessuti, Roberto Requião, Hauly e outros não tiveram a mesma sorte.
Ao saber da derrota de seu histórico adversário, Augustinho Vecchi, não esboçou nenhum contentamento. Pelo contrário, lamentou a derrota dada ao Rubens. Mais uma vez demostrou que a política não pode tratada com o “fígado”, mas sim, com respeito aos adversários e dignidade na vitória ou na derrota. Isso é o que se espera da boa política: respeito, principalmente com o cargo que exercem como “inquilinos” em nome do povo.
Texto: Jair Elias