Projeto de lei quer que presos paguem por tornozeleiras

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Um projeto de lei do deputado Marcio Pacheco (PPL), quer que os presos do sistema penitenciário do Estado paguem pelo uso das tornozeleiras eletrônicas para cumprimento de penas nos regimes aberto e semiaberto.

De acordo com a proposta, o preso ou apenado inserido no programa de monitoramento eletrônico deverá arcar com seus próprios recursos financeiros com as despesas pela compra do equipamento, assim como a manutenção. Segundo levantamento feito pelo deputado, atualmente, o acessório custa entre R$ 250,00 a R$ 500,00 no mercado.

De acordo com dados sobre monitoração eletrônica do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), são gastos, em média, R$ 300,00 por mês para monitorar condenados, sendo que o principal item utilizado na monitoração é a tornozeleira eletrônica.

De acordo ainda com o Depen, o gasto com a manutenção do sistema eletrônico representa 12% das despesas de um condenado encarcerado.

“A sociedade paranaense não deve arcar com esse custo”, diz o deputado.

Pelo projeto, o Estado distribuirá gratuitamente as tornozeleiras aos condenados que comprovarem legalmente não terem condições financeiras, conforme a Lei Federal 1.060/50. Caberá ao Executivo Estadual a regulamentação da lei.

De acordo com Pacheco, a cobrança do equipamento eletrônico é uma necessidade diante da escassez de recursos públicos.

“Nesse momento de crise há uma grande dificuldade de efetivação da aquisição da tornozeleira eletrônica para atender a demanda do Estado”, explica.

De acordo com dados do Depen, atualmente 4.650 indivíduos utilizam o equipamento no Paraná. O monitoramento é feito 24 horas por dia por agentes que atuam no Centro Integrado de Comando e Controle, vinculado à Secretaria Estadual de Segurança Pública.

No Brasil, estima-se que mais de 19 mil usam a tornozeleira, mas esse número poderia ser aplicado em aproximadamente 250 mil presos provisórios.

Há uma tendência clara sobre o aumento do uso do acessório por parte dos presos condenados ou com prisão preventiva, impactando ainda mais os custos do Estado. No Paraná até agosto de 2016, o custo de um preso foi de aproximadamente R$ 3,2 mil, segundo dados divulgados pelo Depen.

Numa conta simples, um grupo de mil indivíduos custa R$ 3,2 milhões ao Estado, enquanto no sistema de monitoramento eletrônico o valor seria R$ 300 mil.

Pela proposta, o Estado providenciará a instalação da tornozeleira após o recolhimento do valor fixado, no prazo de 24 horas. O projeto também prevê que ao final do cumprimento da medida, o preso ou apenado restituirá o equipamento, em perfeitas condições de uso e sem ônus.

O texto da lei não dá detalhes sobre como se dará o pagamento por parte do detento e o que ocorreria, por exemplo, em caso de inadimplência.

A proposta segue agora para análise da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) antes da votação em Plenário.

Ainda segundo levantamento feito pelo deputado, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, leis semelhantes já foram aprovados e estão em vigor.