Polícia prende zelador que matou duas jovens no Cohapar

O caseiro do Colégio Vinicius de Moraes, que fica no Conjunto Cohapar, bairro de Campo Mourão,  foi preso na noite desta sexta-feira e confessou ter matado duas garotas nos últimos dois anos. O crime foi descoberto depois que a polícia criou uma força-tarefa para investigar inquéritos que estavam pendentes. A escola na qual ele trabalhava havia 18 anos tem 2.300 alunos.

Uma das meninas, Dimetria Laura Vieira, estava desaparecida há dois anos. Nos últimos seis meses, depois que a polícia retomou a investigação, parentes da garota,  passaram a receber mensagens de texto por celular. Nas mensagens, ela dizia que estava bem, morando em São Paulo. Em outra, disse que estava na Espanha. As mesmas mensagens eram enviadas ao celular do caseiro.

Raimundo Gregorio da Silva, de 52 anos, havia tido um relacionamento com uma tia de Dimetria. Por isso, ficou amigo da família e se aproximou da menina, a quem dizia gostar como um pai. Ele costumava levar a garota para passear e dava presentes. No dia em que Dimetria sumiu, ela havia saído com ele. Raimundo afirmou à família que a garota tinha confidenciado a ele que fugiria para São Paulo para viver com um garoto de quem ela gostava, chamado Rafael. A família acreditou na história.

– As mensagens por celular foram um fato novo. Passamos a rastrear e achamos estranho que ele também recebesse – conta o delegado José Aparecido Jacovós.

Chamado para depor, Raimundo se mostrou nervoso e não soube dar algumas respostas. Dizia apenas que era amigo da garota, que o tratava como pai.

Na Justiça, a polícia obteve mandado de busca e apreensão para entrar na escola e na casa do caseiro, que fica nos fundos do colégio. No local, na última segunda-feira, foi achado o celular de Dimetria. O caseiro desapareceu.

A polícia fechou o cerco, ouviu funcionários da escola e pediu autorização à Justiça para escavar o pátio. Uma das funcionárias contou que o caseiro costumava estar sempre no forro, realizando consertos.

– Fomos ao forro e descobrimos roupas de adolescentes em três pontos diferentes. Os parentes de Dimetria reconheceram algumas como sendo dela – diz Jacovós.

No momento em que fazia as buscas, uma outra família de Campo Mourão procurou o delegado. Os pais disseram que a filha deles, Iara Pacheco, de 21 anos, também era muito amiga do caseiro e estava desaparecida desde fevereiro passado.

Peças das roupas achadas no forro foram mostradas à família, que também reconheceu algumas como sendo de Iara.

Nesta sexta-feira, a polícia encontrou uma fossa desativada no pátio da escola. Dentro dela, foram encontrados ossos humanos. Segundo o delegado, o caseiro teria matado Dimetria e enterrado o corpo. Algum tempo depois, desenterrou, colocou fogo e jogou o que sobrou dentro da fossa.

– Quando vimos as ossadas tivemos praticamente certeza que os corpos eram das garotas – afirma o delegado.

Raimundo Gregorio da Silva, foi preso no município de Sarandi. Segundo o delegado, ele estava na casa de um dos filhos.

– Descobrimos onde ele estava também rastreando os telefonemas. Ele confessou os dois crimes – diz Jacovós.

O caseiro afirmou que estava ‘apaixonado’ por Dimetria e que resolveu matá-la quando ela contou que queria fugir e ir atrás do garoto que gostava, que havia se mudado para São Paulo. Iara teria sido estuprada e morta.

– Ele disse que atraía as meninas e dava calmante para elas – afirma Jacovós.

Na casa de Silva foram achadas revistas para adolescentes, chocolates e fotos de adolescentes nuas e seminuas.

Com a descoberta das mortes, duas famílias disseram ter denunciado à direção da escola que o caseiro estava assediando alunas, mas que não foram tomadas providências.

– Essas duas meninas foram afastadas dele pelas famílias. Possivelmente seriam novas vítimas – diz o delegado.

O caseiro era uma pessoa bem vista na comunidade, além de trabalhar na escola, era o responsável pela distribuição de leite a famílias carentes.