Oxi: droga mortal pode estar chegando na região de Campo Mourão

Policiais do 11º BPM apreenderam cerca de um quilo de entorpecente, suspeito ser oxi, uma das drogas mais temidas do momento. A apreensão aconteceu na tarde desta segunda-feira (23) na BR 272, a cinco Km de Campo Mourão, na entrada da fazenda Indaiá.

A polícia recebeu a denúnca de que um veículo suspeito parou no local e escondeu um pacote no meio do mato. Os policiais que estavam numa operação pelos bairros foram verificar e encontraram a droga.

O comandante do 11º BPM, Geraldo Moliani, que acompanhava o trabalho, estranhou o cheiro e a coloração do produto. ‘Infelizmente as caracteríticas são do oxi. Vamos enviar para perícia e confirmar a nossa suspeita. Mas pela  experiência não é crack e sim a substância oxi’, lamenta o Miliani.

A polícia prendeu dois homens que passavam na rodovia, suspeitos de serem os donos do entorpecente.

Marcos de Souza

Entenda a preocupação das autoridades com a possível entrada do oxi na região

Fonte: Revista Veja

Oxi, uma nova e devastadora droga que se espalha pelo país

Ele é mais barato e agressivo do que o crack. E a ciência ainda tenta entender seus efeitos no organismo.

Desde a década de 1980, distante dos grandes centros brasileiros, o estado do Acre convive com a destruição produzida pelo oxi, uma mistura de pasta-base de cocaína, querosene e cal virgem mais devastadora do que o temível crack. A droga, vendida no formato de pedra, ao valor médio de 2 reais a unidade, vem se popularizando na região Norte e, agora, espalha sua chaga pelas cidades do Centro-Oeste e Sudeste. ‘Ela já chegou ao Piauí, à Paraíba, ao Maranhão, a Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro’, diz Álvaro Mendes, vice-presidente da Associação Brasileira de Redução de Danos.

Ao menos duas característias da droga ajudam a explicar por que ela se espalha pelo país. A primeira é seu potencial alucinógeno. Assim como o crack, o oxi pode estimular em um usuário o dobro da euforia provocada pela cocaína. A segunda razão é seu preço. ‘O crack não é uma droga cara, mas o oxi é ainda mais barato’, diz Philip Ribeiro, especialista em dependência química do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). ‘Quando surge uma droga mais poderosa, mais barata e fácil de produzir, a tendência é que ela se dissemine’, diz Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Univesidade Federal de São Paulo (Unifesp). ‘Isso ocorre especialmente porque não se criou no Brasil até agora um sistema eficaz de tratamento de dependentes.’

O lado mais assustador do oxi talvez seja a carência de dados sobre seu alcance no território brasileiro. Quem se debruça sobre o assunto, avalia que a droga atinge todas as classes sociais. Também faltam estudos científicos sobre sua ação sobre o ser humano. Por ora, sabe-se que, por causa da composição mais ‘suja’, formada por elementos químicos agressivos, ela afeta o organismo mais rapidamente. A única pesquisa conhecida sobre a droga – conduzida por Álvaro Mendes, da Associação Brasileira de Redução de Danos, em parceria com o Ministério da Saúde – acompanhou cem pacientes que fumavam oxi. E chegou a uma terrível constatação: a droga matou um terço dos usuários no prazo de um ano.

Além, é claro, do risco de óbito no longo prazo, seu uso contínuo provoca reações intensas. São comuns vômito e diarreia, aparecimento de lesões precoces no sistema nervoso central e degeneração das funções hepáticas. ‘Solventes na composição da droga podem aumentar seu potencial cancerígeno’, explica Ivan Mario Braun, psiquiatra e autor do livro Drogas: Perguntas e Respostas.

Por último, mas não menos importante, uma particularidade do oxi assusta os profissionais de saúde: a ‘fórmula’ da droga varia de acordo com ‘receitas caseiras’ de usuários. É possível, por exemplo, encontrar a presença de ingredientes como cimento, acetona, ácido sulfúrico, amônia e soda cáustica – muitos dos itens podem ser facilmente encontrados em lojas de material de construção. A variedade amplia os riscos à saúde e dificulta o tratamento.