Namorado vira réu por morte de fisiculturista

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A Justiça recebeu denúncia contra Raphael Marques, namorado fisiculturista Renata Muggiati que morreu ao cair, ou ser jogada, do prédio em que morava, em Curitiba, em setembro do ano passado.  O médico responde pelos crimes de lesão corporal, homicídio qualificado e fraude processual.

O Paraná Portal teve acesso ao processo. Os documentos mostram que o acusado teria alterado a cena do crime, simulado a voz de Renata gritando durante a suposta queda e ameaçado testemunhas.

Na denúncia do Ministério Público, o promotor Ricardo Marcondes, com base no laudo complementar e definitivo do IML, descreve como o crime teria acontecido: “aplicou-lhe o golpe conhecido como mata-leão (hadaka jime), envolvendo seu pescoço com o braço e antebraço direito, passando a exercer forte compressão extrínseca do pescoço, ocasionando na vítima lesões internas como a fratura do ramo esquerdo do osso hióide e hematoma na região direita do pescoço e paravertebral anterior”, e em seguida, sua asfixia”, descreveu.

Já morta, o corpo teria sido jogado pela janela: “Raphael passou a adulterar a cena do crime com o fim de garantir a impunidade do feminicídio praticado contra a companheira”…”Durante a queda do cadáver, Raphael ainda emitiu um grito com imitação de tonalidade feminina com a finalidade de induzir a erro o juiz e a perícias, simulando que a vítima é que teria se atirado viva e voluntariamente do edifício”, afirmou o promotor com base no inquérito.

Raphael Suss Marques foi preso na última sexta-feira (15), por policiais da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O inquérito foi encerrado no mês passado e concluiu que Renata foi asfixiada pelo namorado e jogada do apartamento. O médico foi indiciado pelo crime de homicídio qualificado e, se condenado, a pena pode chegar a 30 anos. Rafael Marques alega que Renata sofria de depressão e já vinha ameaçando se matar. No dia da morte ele teria tentado terminar a relação com Renata Mugiatti, o que agravou a doença.

O pedido de prisão preventiva traz depoimentos de várias testemunhas citando episódios de violência envolvendo Raphael Marques. Em alguns casos, ameaças contra a própria namorada: “ele forçou tirar o celular da mão dela, “me dá esse telefone senão eu te meto a mão”, ameaçou “”, declarou um conhecido da vítima à polícia.

Em outro trecho, testemunhas afirmam que ele obrigava a namorada a fazer sexo contra a vontade: “”como você não vai me dar, olha o tamanho do meu pau…”. Em seguida a testemunha, diz ter sido ameaçada pelo médico, afirma ter ouvido o ruído de um soco e o som do choro de Renata.

A intimidação às testemunhas justificou o pedido de prisão preventiva: “intimidação de testemunha é fato suficiente para decretação de prisão preventiva e que, no caso dos autos, quando se tem um conjunto de elementos de prova indicando alta periculosidade do agente em razão da sua agressividade e impulsividade”, concluiu a juíza Margarete do Rocio Borges, que também pediu mais diligências para a coleta de provas complementares, como a apreensão de equipamentos eletrônicos para verificar mensagens trocadas por telefone e redes sociais.

Em entrevista ao Paraná Portal, o advogado criminalista Cláudio Dalledone, que foi procurado por Renata dias antes da morte denunciando que vinha sofrendo agressões, considera o caso um “marco divisor”, nos crimes de violência doméstica no país: “existem vários aspectos que contornam esse caso criminal, que dão exemplo. Essa menina me pediu socorro antes da morte. Eu não sou testemunha apenas, sou um advogado que foi acionado e, mesmo ela morta, levei o caso às autoridades. Tenho para mim que ela morreu por ter pedido socorro. Sinto que cumpri meu papel”, desabafou.