Gaeco prende policiais civis em Ubiratã

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) desmantelou ontem uma quadrilha com base em Cascavel e Ubiratã acusada de assaltar contrabandistas na BR-369, principalmente no trecho que liga Corbélia a Ubiratã.
A operação, que contou com apoio de policiais de Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá e Guarapuava, culminou com a prisão de dois policiais civis, ambos lotados em Ubiratã; um ex-agente carcerário e um profissional autônomo.
De acordo com a promotora do Gaeco de Cascavel, Juliana Stofela da Costa, as investigações começaram em abril, quando uma denúncia anônima apontou policiais civis no esquema. “Com base nessa denúncia, em maio recebemos autorização judicial para realizar escutas telefônicas e, conforme fomos comprovando o envolvimento dos acusados, fizemos imagens, fotos e conseguimos algumas testemunhas”.
Ao todo foram cumpridos quatro mandados de prisão contra dois investigadores da Polícia Civil, lotados em Ubiratã, um ex-agente, e um autônomo.
Também foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em diversas residências em Ubiratã, Marechal Cândido Rondon, Matinhos e Cascavel.
APREENSÕES
Nos locais foram apreendidas duas caminhonetas S-10; duas caminhonetas Hillux; uma BMW Z4, avaliada em R$ 200 mil; uma BMW X6, avaliada em R$ 400 mil; uma Land Rover Evoc, com custo aproximado de R$ 200 mil, outra BMW 130i, que vale R$ 110 mil, uma motocicleta CBR 1000, avaliada em R$ 60 mil; três embarcações, além de aproximadamente R$ 700 mil oriundos da venda de outros veículos que eram roubados pela quadrilha. Na casa do ex-agente carcerário foram encontrados cigarros, munição e outras mercadorias contrabandeadas. Também dois apartamentos, no Balneário de Caiobá, avaliados em R$ 500 mil cada, estão nas mãos da justiça.
Segundo a promotora, diversas contas bancárias dos presos, receptores e “laranjas” do esquema foram bloqueadas. “Aguardamos informações do Banco Central para avaliarmos qual era o valor que a quadrilha movimentava, mas a princípio o patrimônio do líder, o Malcon, era de mais de R$ 2 milhões”.
Os dois policiais foram transferidos para Curitiba, na sede da delegacia de furtos e roubos de veículos, onde devem responder criminalmente por concussão, lavagem de dinheiro e roubo, além das sanções administrativas por parte da Polícia Civil.
O ex-agente deve ser encaminhado ou para a PIC (Penitenciária Industrial de Cascavel) ou para a PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel). Os veículos apreendidos serão deixados, temporariamente, na sede do 6º Batalhão de Polícia Militar.
Os assaltos
De acordo com a promotora Juliana Stofelo da Costa, a quadrilha agia da seguinte forma: Dois deles faziam patrulhamento na rodovia e avisavam os policiais.
Utilizando-se de uma viatura Duster, por isso o nome da operação, eles abordavam os compristas, usando inclusive de violência, roubando o carro, a mercadoria, dinheiro e deixando as vítimas amarradas em meio a mata até que outro valor, em média R$ 5 mil, fosse depositado em contas de laranjas. “Depois disto, eles cobravam uma espécie de pedágio, dependendo da quantidade de carros e de vezes que os contrabandistas passavam pela BR-369. Com isso, estimamos que eles arrecadavam cerca de R$ 30 mil por semana”. Outras 15 pessoas ainda estão sendo investigadas. A quadrilha agia há pelo menos cinco anos.
Informações
O Gaeco informou ainda que outras pessoas estão sendo investigadas, inclusive um profissional de uma emissora de televisão. “Ele vinha até a sede do Gaeco, conversava com os policiais e se descobrisse algum tipo de informação, repassava para a quadrilha. Ele também era laranja do grupo, está sendo investigado e responderá criminalmente por seu ato”, disse a promotora Juliana Stofelo da Costa.
O Paraná