Caso Isabel Brilhador: polícia apura movimentações financeiras de acusado e possível golpe contra outras vítimas

Delegados Nilson Rodrigues e Luã Mota afirmam que suspeito usava o mesmo padrão de abordagem para conseguir dinheiro de outras pessoas

O delegado chefe da 16ª Subdivisão Policial, Nilson Rodrigues, e o delegado adjunto Luã Mota detalharam na tarde de hoje, novos elementos da investigação sobre a morte de Isabel Brilhador, 65 anos, ocorrido no início de setembro, em Campo Mourão.

Segundo os policiais, a apuração identificou uma movimentação financeira de R$ 74,4 mil realizada em 4 de setembro, data em que Isabel já era dada como desaparecida.

De acordo com os delegados, o suspeito de 32 anos, que mantinha relacionamento com a vítima, teria recebido o valor em sua conta e, na sequência, encaminhado uma mensagem simulando uma comunicação feita por Isabel.

No texto, ela supostamente afirmaria estar doente, que poderia morrer em breve e que o dinheiro deveria ser utilizado pelo destinatário, inclusive para a troca de uma motocicleta. A investigação aponta ainda que parte do dinheiro teria sido utilizada rapidamente. “Cerca de R$ 10 mil teriam sido transferidos para uma pessoa a quem ele devia dinheiro. Outros valores teriam sido destinados ao pagamento de cartão de crédito”, explicou o delegado Luã.

Somadas, essas movimentações representam aproximadamente R$ 20 mil gastos logo após o recebimento do dinheiro. “A investigação sobre essa movimentação financeira ainda está em andamento e buscando identificar o destino do restante do dinheiro.”

Ainda segundo os dois delegados, a investigação também levantou a suspeita de que o homem utilizava um mesmo padrão de abordagem para conseguir dinheiro de outras pessoas. “Ele alegava estar doente, dizia precisar trabalhar e afirmava que precisava comprar ou trocar uma motocicleta para continuar trabalhando”, revelou Luã.

Além do emprego em uma fábrica, conforme os investigadores, ele também realizava trabalhos informais, como entregas e venda de lanches. A polícia identificou ainda outras pessoas que teriam sido abordadas com uma estratégia semelhante, incluindo mulheres mais velhas.

Os delegados ressaltam que a quantidade exata de possíveis vítimas ainda está sendo apurada. A investigação busca cruzar depoimentos e movimentações bancárias para esclarecer a extensão desse possível esquema e sua relação com o caso Isabel Brilhador.

O CRIME

Isabel Brilhador desapareceu no dia 4 de setembro de 2026, em Campo Mourão. O desaparecimento mobilizou as forças de segurança e familiares, que passaram a procurar informações sobre o paradeiro da mulher.

Durante as investigações, a Polícia Civil prendeu um homem de 32 anos mantinha um relacionamento amoroso com Isabel e identificou elementos que levantaram suspeitas sobre a morte dela. O corpo foi posteriormente encontrado enterrado no quintal da casa da vítima, no jardim Cidade Nova.

A apuração passou a analisar, entre outros pontos, a movimentação financeira e as circunstâncias que antecederam o desaparecimento. Segundo a Polícia Civil, transações bancárias realizadas no período são consideradas relevantes para esclarecer a dinâmica do crime.