Casal confessa crime em São José dos Pinhais

O delegado da Policia Civil de Peabiru, Adriano Garcia Evangelista dos Santos, acompanhado do investigador, Josué e do escrivão Rivelino, se deslocou até a cidade de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, com o objetivo de localizar os suspeitos de terem praticado um abordo e abandonado o feto no vaso sanitário de um posto de combustíveis às margens da BR-158, entre Peabiru e Campo Mourão.

A Polícia Civil havia conseguido identificar, através das imagens das câmeras de segurança do posto o veículo, um VW/Passat, importado e o condutor, J.J.K, de 27 anos, mas faltava a identificação da mulher que sofreu o aborto.

Em São José dos Pinhais, os policiais realizaram diligências e localizaram o suspeito.

Ao ser abordado J.J.K. não sabia que o crime havia sido descoberto e ficou transtornado quando o delegado lhe mostrou as fotos anexadas ao processo, especialmente as do feto no vaso sanitário. Depois de conversar com o delegado ele disse que a mulher das imagens era sua esposa, J.P.S., de 22 anos.

Com a identificação, os policiais se deslocaram até a sua casa, no Jardim Itália, em São José dos Pinhais, onde localizaram a mulher. Ela e o marido foram conduzidos até a Delegacia da Polícia Civil de São José dos Pinhais pra serem ouvidos.

Casal alega crise no casamento e problemas financeiros

Depoimentos – Os depoimentos dos envolvidos confirmaram as suspeitas do delegado. J.P.S. informou que é casada legalmente com J.J.K. e que o casal tem três filhos, sendo dois meninos, um de quatro anos e outro de cinco anos e uma menina, de apenas um ano de idade. “Nós estamos passando por problemas financeiros e não teríamos condições de criar mais um filho”, justificou. “No início meu marido não sabia da gravidez e eu tentei de tudo para interromper a gestação, mas não deu certo, por isso, há poucos dias tive de contar para ele. Como estamos com o casamento em crise, resolvemos que não poderíamos ter esse filho agora e assim fomos até o Paraguai, onde comprei e apliquei duas ampolas de “Citotec” e retornamos para o Brasil”.

Segundo J.P.S., ela e o marido seguiram viajem, normalmente, mas em dado momento, o remédio começou a fazer efeito e iniciou-se o processo abortivo. “O sangramento começou ainda no carro, mas logo paramos no posto de combustíveis e eu entrei, rapidamente, no banheiro e depois cortei o cordão umbilical com um alicate, joguei o feto no vaso e dei descarga”, contou.

O mais impressionante é que a jovem relatou todos os fatos sem demonstrar qualquer emoção, no entanto, não quis ver as fotos do processo.

Já o homem, J.J.K., ficou muito impressionado com as imagens, mas sua preocupação maior era com a possibilidade de ser preso. “Eu estou passando por dificuldades financeiras, mas mesmo assim, várias pessoas dependem de mim”, explicou.

Para o delegado ele contou que, além dos problemas financeiros, vem enfrentando uma crise em seu casamento. “Temos uma filha pequena e minha mulher estava preocupada com os problemas e concluiu que mais um filho poderia agravar ainda mais nossa situação. Além disso, ela chegou a falar em separação, há mais de três meses estamos em crise e ela reclama que sou ausente”, contou J.J.K. “Eu trabalho muito, pois estou tentando salvar meu negócio. Tomei um grande calote no início do ano e ainda não consegui me recuperar, por isso, fico mais tempo no trabalho”, explica.

Já ao falar sobre o aborto, ele disse que a princípio não aceitou a ideia, mas acabou cedendo às pressões da mulher. “Estávamos em Londrina, quando ela me convenceu a ir até Foz do Iguaçu para fazer compras e para que ela comprasse o remédio”, disse ao delegado. “Lá no Paraguai, eu não entrei na farmácia, fiquei esperando do lado de fora, enquanto ela comprava e aplicava a medicação. Eu sei que não fiz para nada impedir, mas só aceitei essa situação em uma tentativa de salvar meu casamento”, completou o acusado.

Apesar de todas as evidências e da confissão dos acusados, eles foram liberados após o depoimento, pois a justiça entendeu que não cabia a prisão preventiva do casal. Mesmo em liberdade, eles irão responder pelos crimes de auto-abordo e ocultação da cadáver.

Imprensa – Logo após os depoimentos o delegado, Adriano Garcia, falou à imprensa sobre as investigações. Jornalistas de vários órgãos da imprensa da capital foram informados sobre os fatos ocorridos na noite de segunda-feira.

Fotos e informações Ari Mendonça