Após tiroteio, Polícia Civil interdita danceteria por tempo indeterminado
Após os disparos de arma de fogo que aconteceram na porta do ‘Chaplin’ na madrugada de terça-feira (15) , no centro de Campo Mourão, quando duas pessoas ficaram feridas, a Polícia Civil interditou o estabelecimento por tempo indeterminado. Segundo a delegada, Dra. Maria Nysa Moreira Nanni, o fechamento da casa não se deve somente aos acontecimentos da madrugada, mas, também, por outros procedimentos que os proprietários já vem respondendo.
A delegada comenta que ‘há muito tempo já estamos recebendo reclamações a respeito daquela casa, mas eles sempre se adequam às exigências e continuam funcionando.’ Agora, depois dos últimos acontecimentos, a polícia não esperou por novas vistorias. ‘Na sexta-feira vamos fazer uma vistoria completa no estabelecimento para verificar as condições de segurança. O problema maior é que os proprietários não assumem a responsabilidade por manter a ordem no local’, explica Dra. Maria Nysa.
Por ocasião dos incidentes, a Dra. Maria Nysa diz que foi informada de que havia muitos menores no estabelecimento e, ainda, que ouviu relatos de que o autor dos disparos teria entrado no salão por alguns momentos. ‘A segurança tem que ser mais rígida, além da presença proibida de menores no local, ainda pode ter entrado uma pessoa portando arma de fogo. Os proprietários têm responsabilidade de garantir a segurança e o respeito às normas’, conclui a delegada.
Um dos proprietários do Chaplin, o empresário Antônio Cláudio Mateus, disse que não havia o que fazer. ‘A discussão foi do lado de fora da casa, logo no final da festa.’ Ele se mostrou muito chateado e preocupado com a situação. ‘Esses problemas não prejudicam só a nossa casa, acabam por prejudicar todos os estabelecimentos noturnos de Campo Mourão’, lamenta o empresário.
Mateus conta ainda que naquele dia cerca de 450 pessoas estavam dentro do estabelecimento no momento dos disparos. ‘Estávamos terminando as apresentações do dia. O DJ avisou que seria a última música, quando ouvimos os disparos, que ecoaram por todo o salão. Todos se assustaram e deitaram no chão, mas felizmente os tiros foram só do lado de fora’, comenta. ‘Lamentamos muito pelos transtornos causados, especialmente naquela menina que levou um tiro. Ela estava lá se divertindo, não tinha nada a ver com os disparos. Fomos até o hospital e ela reconheceu que não tivemos culpa e só lamentou a violência a que todos nós estamos sujeitos’, conta Mateus.
Quanto à segurança, cobrada pela polícia, o empresário disse que mantém cerca de sete seguranças, sendo seis homens e uma mulher, para garantir a tranquilidade dos frequentadores. ‘Na entrada temos detector de metais e fazemos revistas em todas as pessoas que entram. No caso de menores, em alguns casos, pode ser que entrem alguns, que, pelo porte físico, parecerem mais velhos, e em alguns casos entram acompanhados dos pais. Mas não é comum termos menores em nossas festas’, esclarece Mateus.
Desaminado com tudo o que está acontecendo, o empresário diz que não pretende continuar por muito tempo com o seu negócio. ‘São muitos problemas, não temos uma vida social, porque temos de nos dedicar. Enquanto todos se divertem a gente está trabalhando. E, acontecimentos como esse, tiram o ânimo de qualquer um. Nós procuramos fazer a nossa parte, cuidamos de todos os detalhes, mas, infelizmente, algumas pessoas só querem problemas’, conclui.
(Ari Mendonça)