Após matar menina, mãe esperava ressuscitação

Os delegados da 15ª SDP (Subdivisão Policial) de Cascavel deram detalhes sobre o depoimento das acusadas de matar Maria Clara Zortea Ramalho, seis anos. A entrevista coletiva aconteceu depois que o corpo da criança foi encontrado na manhã de hoje (29).

Conforme o depoimento de Vanessa Aparecida Ramos do Nascimento – mãe da menina Maria Clara – foi morta no dia 04 de março deste ano. Há um ano ela agredia a menina e a outra filha, uma criança que hoje tem dois anos. As agressões eram para ‘purificar’ as meninas, que podiam estar ‘possuídas’ por algum demônio.

“Em março do ano passado a Vanessa conheceu Giulia em uma convenção religiosa e passaram a morar juntas, inclusive com as duas crianças. Durante todo esse tempo as crianças sofriam agressões e viviam encarceradas, podendo sair apenas para ir à igreja. Em março deste ano aconteceu o óbito”, disse o delegado Edgar Santana.

O depoimento de Vanessa chamou atenção pela frieza. Em nenhum momento ela demonstrou arrependimento.

“A mulher contou que estava fazendo o ritual de purificação da criança e que Giulia teria dito que para dar certo precisaria por Maria Clara no porta-malas do carro e ela fez isso às 3 horas da madrugada. Às 9 horas da  manhã, quando foi ao veículo, a menina estava morta. Depois ela ficou com o cadáver dois dias em casa, acreditando que a filha fosse ressuscitar, quando viu que isso não ia acontecer, ocultou o cadáver”, detalhou Edgar Santana.

O pai de Maria Clara e o avô materno estavam atrás da menina desde o início do ano. No entanto, foram informados pela polícia que como a mãe tinha a guarda da criança, não havia o que ser feito. O Conselho Tutelar foi à casa da mulher algumas vezes, mas ela não os atendia. Para não levantar suspeita pelas faltas na escola, Vanessa pediu transferência de Maria Clara, mas não a matriculou em outra unidade escolar.  O delegado-chefe da 15ª SDP, Pedro Fernandes de Oliveira, disse que a polícia não ignorou o caso e que em fevereiro fez diligências para encontrar mãe e filha.

“Inicialmente nós tivemos um Boletim de Ocorrências de desaparecimento de mãe e filha em fevereiro. Os policiais foram atrás, mas constataram que elas não estavam desaparecidas, e sim mudado de endereço. Elas levaram a mudança e o carro da família. O que acontece é que na última quinta-feira recebemos informação que a criança pudesse ter sido sequestrada e acabamos prendendo as duas e a mãe disse que matou”.

A polícia segue investigando o caso. O Escort de Vanessa foi apreendido para perícia. Seria no porta-malas dele que a menina teria sido colocada. No entanto, como o espaço é aberto, os policiais acreditam que ela não tenha como ter morrido por asfixia. O inquérito deverá ser concluído nos próximos dias e agora é conduzido pela Delegacia de Homicídios.

“Elas foram autuadas em flagrante por ocultação de cadáver e agora nós vamos solicitar à Justiça para que decrete a prisão pelo homicídio”, relatou a delegada Mariana Vieira.

Vanessa fez exame de corpo de delito nesta manhã e também coletou exame de sangue para que seja feito exame de DNA com a ossada encontrada.