Um modo de falar

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No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar. Gênesis 11:1

Desde a Torre de Babel, as pessoas sentem a necessidade de se comunicar em uma língua inteligível para a maioria. As tentativas de criar artificialmente uma língua internacional, como o esperanto, evidenciam isso. De 1880 a 1907, foram propostas 53 línguas universais! Porém, esse tipo de unidade não era possível nem no tempo do indo-europeu, um dos principais grupos de línguas do planeta. A família indo-europeia, que deu origem a 11 ramos linguísticos principais e a centenas de línguas e dialetos, como o alemão, o inglês, o espanhol e o português, tem quase três bilhões de falantes nativos.

No momento, o inglês é a língua mais influente, tentando assumir um caráter universal. O que o francês representava há dois séculos, na qualidade de língua da elite europeia, o idioma preferido na diplomacia e no espaço literário, o inglês representa hoje, com vantagens. Falando sobre o poder sem precedentes do inglês, o linguista indiano Braj Kachru observou: “Onde mais de 650 línguas artificiais falharam, o inglês obteve êxito; onde muitas outras línguas naturais apoiadas pelo poder político e econômico fracassaram, o inglês conseguiu sucesso. Uma razão para esse predomínio do inglês é sua propensão para adquirir novas identidades, seu poder de assimilação, sua adaptabilidade.”

A história da língua inglesa é dividida em três períodos: o inglês antigo (de 450 a 1150), o inglês médio (de 1150 a 1500) e o inglês moderno (de 1500 até o presente). Ao longo do tempo, a língua simplificou-se e incorporou inúmeras palavras de outras línguas, especialmente o latim e o francês, que representam mais da metade das palavras do dicionário atual.

A existência de uma única língua, simbolizando a comunicação universal, expressa o potencial tanto para o bem quanto para o mal. Por isso, ao ver a cidade e a torre que os pós-diluvianos estavam construindo na planície de Sinear, querendo se tornar famosos, evidenciar seu orgulho e não se espalhar pela face da Terra, o Senhor decidiu confundir a língua que falavam e dispersá-los (Gn 11:1-9).

Seria ótimo se falássemos a mesma língua, apesar de isso representar certo empobrecimento cultural. Porém, a atitude não pode ser a dos construtores da Torre de Babel. Não aprenda uma língua internacional para construir torres e ficar famoso, mas para edificar pontes e conectar as pessoas. Em vez de falar a linguagem universal da arrogância e do orgulho, fale a linguagem universal do amor e da humildade.

Por Marcos De Benedicto 
Pastor e jornalista, com doutorado em Ministério na Universidade Andrews (EUA). Em 1987, foi chamado para atuar como editor na Casa Publicadora Brasileira, onde exerceu diversas funções. Atualmente é redator-chefe. Autor de vários livros e inúmeros artigos.