Sem defeito
Para ser aceitável o animal terá que ser sem defeito e sem mácula. Levítico 22:21
Imagine que você seja um jovem sacerdote no tempo do Antigo Testamento, um candidato a oficiar no santuário divino, em meio à fumaça do incenso, sob a glória da Shekinah. Para ver se você está preparado, Deus resolve fazer um teste rápido de três perguntas. Moisés se encarrega de aplicar o “Enem” divino:
1. A pessoa deve ser uma oferta ou levar uma oferta?
2. É o ofertante ou a oferta que deve ser “sem defeito”?
3. A oferta representa a pessoa ou o Redentor?
Sem dúvida, você passaria com louvor no teste, sinalizando que a pessoa devia levar a oferta, e não ser a oferta; a oferta é que devia ser “sem defeito”; e ela representava o Redentor.
A expressão “sem defeito” surge pela primeira vez na Bíblia em Êxodo 12:5, onde o próprio Deus enfatiza que o cordeiro da Páscoa deveria ser “sem defeito”. Depois, o Senhor reafirma que a oferta levada ao santuário também deveria ser “sem defeito”. Esse detalhe certamente era fundamental, pois a expressão aparece quase 50 vezes no Antigo Testamento. A última vez em que ela marca presença é em l Pedro 1:19. Nesse texto, o apóstolo afirma que fomos redimidos “pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito”.
Hoje, numa sociedade que endeusa a beleza, as pessoas querem mascarar os defeitos. Usam cremes para rugas, fazem plásticas para esticar a pele, colocam toneladas de maquiagem para tapar manchas. Contudo, o resultado nem sempre é bom. O mesmo pode ocorrer no ambiente religioso. Muitas pessoas desejam esconder seus defeitos, como se as imperfeições atrapalhassem a aceitação delas por Deus ou pela comunidade. Isso não resolve o problema de ninguém. Todos nós temos defeitos incorrigíveis. Lamento dizer, mas não existe absolutamente nada em você que o recomende a Deus.
A notícia maravilhosa é que Deus não pede perfeição do ofertante, mas da oferta, a qual representava o sacrifício perfeito de Cristo. Para o Senhor do santuário, o que importa é a perfeição do Redentor, não a imperfeição do redimido. De Adão a Abraão, de Moisés a Pedro, de Arão a Jesus, o foco da salvação é sempre na oferta, nunca no ofertante.
Você não é perfeito, mas a sua oferta é, pois o próprio Deus proveu o Cordeiro que tira o pecado do mundo. E, se a oferta é perfeita, você também é, porque ela o substitui. A perfeição do Cordeiro é creditada a você. Deus olha sua imagem no espelho do Céu e o vê como vê a Cristo, sem defeito. Assim, você pode tirar todas as maquiagens morais usadas para camuflar as manchas do pecado, pois foi declarado “sem defeito”.
Por Marcos De Benedicto
Pastor e jornalista, com doutorado em Ministério na Universidade Andrews (EUA). Em 1987, foi chamado para atuar como editor na Casa Publicadora Brasileira, onde exerceu diversas funções. Atualmente é redator-chefe. Autor de vários livros e inúmeros artigos.
