O sonho do rabino
Quando entre vocês há um profeta do SENHOR, a ele Me revelo em visões, em sonhos falo com ele. Números 12:6
Entre outros, Martin Buber, filósofo e escritor austríaco de origem judaica, conta a história de um rabino que vivia num gueto em Cracóvia, na Polônia. O rabino, chamado Eisik, teve um sonho no qual lhe foi dito para viajar até Praga. Sob a grande ponte que levava ao castelo real ele encontraria um tesouro escondido. O sonho foi repetido três vezes, então ele decidiu ir. Encontrou a ponte, mas ela estava protegida por soldados, e ele não pôde cavar.
Enquanto o rabino permanecia ali por perto, um oficial lhe perguntou o que havia perdido. O rabino contou-lhe o sonho, e o soldado deu risadas. “Pobre homem!”, disse. “Você gastou o solado de seus sapatos andando de lá até aqui por causa de um sonho? Certa vez, eu também tive um sonho. Nele, foi-me dito para ir até Cracóvia e procurar um tesouro na casa de um rabino chamado Eisik. O tesouro estava em um canto escuro atrás de um fogão. Contudo, sendo um homem racional e não acreditando em sonhos, decidi não ir.” O rabino se inclinou, agradeceu o oficial, voltou para Cracóvia, verificou atrás do fogão, encontrou o tesouro e pôs fim à sua miséria.
Essa história revela duas posturas em relação aos sonhos: (1) a crença de que eles podem vir de Deus e, portanto, devem ser ouvidos; e (2) a ideia de que eles não fazem sentido e, assim, seria tolice levá-los em conta. Há ainda uma terceira perspectiva, representada pelas escolas de psicologia: a noção de que os sonhos são uma atividade do inconsciente e, por revelar desejos e ansiedades, podem ter um valor simbólico. Sigmund Freud, o criador da psicanálise, descreveu o sonho como “a estrada real para o inconsciente”.
A maioria absoluta dos sonhos tem que ver com a mente, o que se passa no coração. Talvez 99% dos mais de 1.450 sonhos que uma pessoa comum tem em média por ano sejam desse tipo e não possuam significado especial. No entanto, alguns sonhos podem ter um conteúdo relevante. No passado, os sonhos eram um dos métodos favoritos de Deus para revelar suas mensagens, e ele ainda pode usá-los, se desejar. Quando a atividade onírica tem conexão com o céu, é melhor prestar atenção.
O povo de Deus acredita em sonhos. Segue a visão dada pelo Senhor. E, ao fazê-lo, descobre um tesouro. Porém, para encontrá-lo, há um preço. Você precisa acreditar e iniciar a jornada em busca do sonho que Deus lhe enviou por meio dos profetas ou que colocou em seu coração. O sonho talvez pareça banal. No entanto, se você continuar acreditando, verá que o tesouro está bem perto.
Por Marcos De Benedicto
Pastor e jornalista, com doutorado em Ministério na Universidade Andrews (EUA). Em 1987, foi chamado para atuar como editor na Casa Publicadora Brasileira, onde exerceu diversas funções. Atualmente é redator-chefe. Autor de vários livros e inúmeros artigos.
