Estava escrito?

destino

Hoje ponho diante de vocês vida e prosperidade, ou morte e destruição. […] Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam. Deuteronômio 30:15, 19

Em pé na estação de trem, o jovem Jamal Malik olha para a linda Latika e diz: “Este é o nosso destino.” Ela apenas responde: “Beije-me!”

Esse é o último diálogo do filme Quem Quer Ser um Milionário?, que teve dez indicações ao Oscar em 2009 e ganhou oito estatuetas. Para um filme retratando a história de um jovem que veio das favelas de Mumbai, índia, ganhou um prêmio milionário num show de TV e ainda conseguiu reencontrar seu amor perdido, a ideia do destino não poderia estar ausente.

Na abertura do filme, aparece a pergunta: “O que um rapaz sem interesse no dinheiro faz num concurso televisivo? E como é que ele sabe todas as respostas? A. Ele trapaceou; B. Ele sabia as respostas; C. Ele é um gênio; D. Estava escrito.” O filme termina com a resposta: “D. Estava escrito”.

Destino. No Oriente, a tradição de atribuir tudo ao destino é antiga. No Ocidente, o determinismo não é menor. Apostando nesse conceito, Agostinho e Calvino construíram um imenso edifício teológico sobre a ideia da predestinação e conseguiram inúmeros adeptos. Para eles, Deus determina tudo que fazemos.

Muitos pensadores defendem que nada ocorre por acaso. Por exemplo, para o filósofo grego Crisipo de Solis, que viveu no 3° século a.C, a lei da fatalidade predomina no mundo. Se ocorresse alguma coisa sem ter uma causa ligada a ela, isso destruiria o universo como um sistema unificado. Por sua vez, o matemático e astrônomo francês Pierre-Simon Laplace dizia que, se conhecêssemos a localização e o momentum de cada átomo do universo, poderíamos prever seu estado no futuro. Albert Einstein disse que “Deus não joga dados”, e outros grandes cientistas pensam do mesmo modo. Entretanto, o “princípio da incerteza”, um conceito da física quântica, veio para complicar a vida deles.

Por mais atraente e até romântica que seja a ideia do destino, a verdade é que Deus criou o ser humano com livre-arbítrio. A liberdade de escolha não é uma ilusão. Não somos parte de um dominó cósmico, em que o movimento de uma peça inexoravelmente vai derrubar a seguinte. Naturalmente, o ser humano é influenciado (e, às vezes, condicionado) pelos genes e pelo ambiente. Contudo, ele tem livre-arbítrio e pode decidir. Por isso, há muitas condicionais (“se”) na Bíblia. E, por isso também, conforme diz o texto acima, Deus propõe a vida e a felicidade para nós, instando para que façamos as escolhas corretas. Quanto mais próximo de Deus você estiver, mais liberdade de escolha você terá.

Por Marcos De Benedicto 
Pastor e jornalista, com doutorado em Ministério na Universidade Andrews (EUA). Em 1987, foi chamado para atuar como editor na Casa Publicadora Brasileira, onde exerceu diversas funções. Atualmente é redator-chefe. Autor de vários livros e inúmeros artigos.