Dois irmãos, dois destinos
Disse o SENHOR: O que foi que você fez? Escute! Da terra o sangue do seu irmão está clamando. Gênesis 4:10
Primeiros filhos do primeiro casal, Caim e Abel tinham profissões, personalidades, temperamentos e estilos de adoração diferentes. Segundo os especialistas, os próprios nomes deles indicam um contraste: Caim significa “lança”, “poder”, “força”, ao passo que Abel quer dizer “fragilidade”, “nada”, “sopro passageiro”.
Ao que parece, Caim era autossuficiente, independente e questionador, enquanto Abel era dependente de Deus, submisso e obediente. Para Caim, o centro era a sua vontade, o “eu”; para Abel, era Deus, a vontade divina. Ambos ofereceram o melhor do seu trabalho, mas o melhor de Caim não era o melhor de Deus, pois expressava justiça própria. Deus, que sempre indica como adorar, pedira um sacrifício que apontava para a morte do Cordeiro humano-divino. Além da oferta errada, o coração de Caim estava errado. O relato diz que Caim ficou irado com Deus (v. 5) e com seu irmão (v. 8).
Caim não matou o animal, mas matou o irmão. Será que refletiu sobre seu ato? Às vezes, a pessoa só entende a gravidade do pecado quando vê o sacrifício no altar. O resultado foi a fuga da face de Deus, o exílio numa terra de ninguém.
Essa história dramática ainda é relevante hoje, uma época de tanta violência, em que muitos, em vez de proteger o irmão, o matam. Como entender seus mistérios e implicações?
Um estudioso chamado Joel Lohr observou que a Septuaginta, a antiga tradução do hebraico para o grego, supre alguns detalhes que não estão no Texto Massorético, talvez na tentativa de explicar a história. Enquanto o hebraico usa a mesma palavra para as ofertas oferecidas e o mesmo termo para a apreciação divina, a Septuaginta usa palavras diferentes, buscando diferenciar as ofertas e os irmãos qualitativamente.
Além disso, no hebraico, Deus aconselha Caim a agir corretamente e a dominar o pecado que o espera no futuro. Numa tradução informal, Deus pergunta: “Por que você está com essa cara? Se você agir bem, não será aceito?” Na segunda parte do questionamento divino, a Septuaginta sugere uma irregularidade ritual na oferta de Caim.
Os autores judeus e cristãos antigos viam Abel como o protótipo do mártir justo, enquanto Caim era o protótipo do perseguidor. Ambos pareciam servir a Deus, mas suas obras mostravam realidades opostas. Esses dois irmãos eram representantes de dois tipos de pessoas, dois tipos de escolhas e dois tipos de adoração, com diferentes resultados. Você prefere imitar a atitude de Abel ou insistir no espírito de Caim?
Por Marcos De Benedicto
Pastor e jornalista, com doutorado em Ministério na Universidade Andrews (EUA). Em 1987, foi chamado para atuar como editor na Casa Publicadora Brasileira, onde exerceu diversas funções. Atualmente é redator-chefe. Autor de vários livros e inúmeros artigos.
