A gênese do poder

guerreiro

E Cuxe gerou a Ninrode; este começou a ser poderoso na terra. Gênesis 10:8 (ARC)

Desde o início da história, os poderosos da Terra têm assombrado as mentes mais esclarecidas com sua arrogância. Eles contemplam o esplendor de seus feitos, levantam o olhar altivo para o céu, batem no peito e dizem: “Eu sou Deus!”

O primeiro foi Ninrode, o fundador de Babel, Acade, Nínive e várias outras cidades (Gn 10:8-12). Rei de vasto território, imperador antes dos imperadores, Ninrode pode ter sido o idealizador da torre de Babel. Segundo os escritos rabínicos, seu nome vem de um verbo hebraico que significa “rebelar”. O Talmude Babilônico diz que ele foi chamado de Ninrode porque “incitou o mundo a se rebelar contra a soberania de Deus”.

Segundo o orientalista Ernest Rosenmüller, que confirma esse significado do nome de Ninrode, “os orientais têm o costume de se referir às pessoas de destaque por outro nome dado após a sua morte, e por isso às vezes há uma notável harmonia entre o nome e os atos da pessoa”. Josefo escreveu que, pouco a pouco, Ninrode “transformou o estado de coisas numa tirania, sustentando que a única maneira de afastar os homens do temor de Deus era fazê-los continuamente dependentes do seu próprio poder”.

Na sequência, muitos poderosos de diversas linhagens caminharam pela mesma trilha de Ninrode, reclamando o status divino. Alguns até exigiram adoração. Entre eles estão os faraós do Egito, considerados deuses pela cultura local; os reis assírios; os monarcas da Babilônia, com destaque para Nabucodonosor; os soberanos persas; os líderes do império greco-macedônio, em especial Alexandre Magno; os imperadores romanos, começando com Júlio César, deificado formalmente em 42 a.C. como “o divino Julius”; os imperadores incas, vistos como deidades; os imperadores chineses a partir da Dinastia Qin, chamados de “filhos do céu”; e os imperadores japoneses, considerados descendentes da deusa Amaterasu, até que Hiroíto, em 1945, repudiou a “falsa concepção” de sua divindade. Alguns poderosos, como Buda, considerado um avatar de Vishnu, o Deus supremo do hinduísmo, foram deificados e adorados por grupos e seitas, enquanto outros, como Antíoco IV Epifânio, o “Deus Manifesto”, promoveram a autodeificação.

A todos os poderosos que se dizem deuses, antigos e atuais, nos palácios imperiais ou nas igrejas, todos inspirados naquele que sonhava no coração subir aos céus, erguer o trono acima das estrelas, subir mais alto do que as nuvens, ser como o Altíssimo (Is 14:13-15), o Senhor diz: “Você irá às profundezas do abismo!”

Por Marcos De Benedicto 
Pastor e jornalista, com doutorado em Ministério na Universidade Andrews (EUA). Em 1987, foi chamado para atuar como editor na Casa Publicadora Brasileira, onde exerceu diversas funções. Atualmente é redator-chefe. Autor de vários livros e inúmeros artigos.